20 Mar
O Paulo Henrique Amorim foi mandado embora do IG. O Mino Carta, também no IG, pediu as contas em solidariedade ao PHA e o Roberto Maciel finalmente voltou das férias.
26 Dez
Enquanto o Rubens Lemos escrevia o cordel baixando a lenha no bispo Cappio, o Rogaciano Oliveira, de Tauá (um dos lugares mais carentes de água onde já pus os meus pés chatos, no sertão dos Inhamuns), exaltava as “virtudes franciscanas” daquele - me perdoem os católicos, mas tenho de dizer assim - maluco que fez greve de fome para impedir que 12 milhões de pessoas possam matar a sede. Leia:
Entre as muitas balelas
Que fazem divulgação
Com promessas mentirosas
De fartura e redenção
A mais deslavada eu digo
Pode acreditar amigo
É a da transposição.
Dizem que nosso sertão
Só vai melhorar um dia
Se as águas do São Francisco
Aqui fizer moradia
Transportando o velho Chico
Fazendo o maior fuxico
Com um rio em agonia.
Eu acho uma ironia
Trazer um rio cansado
Do estado da Bahia
Pra ele ser desviado
Do seu leito, do seu canto
Quando precisa portanto
De ser revitalizado.
Mas é que foi inventado
Pelo Dom Pedro Segundo
Desde o tempo do império
Um governo moribundo
Que seria a salvação
Trazer água pra o sertão
Dum rio grande e profundo.
Mas, é preciso ir mais fundo
Na nossa realidade
Hoje é bem diferente
Seja no campo ou cidade
Do século dezessete
Onde não pintavam o sete
Nem havia liberdade.
Sem ser dono da verdade
Posso afirmar que o rio
Sendo transposto assim
Num constrangido desvio
Para outra região
Não será a solução
Para a fome e o fastio.
Porque se somente água
Fosse a solução real
Não existiria fome
Em bacia fluvial
Amazônia e Mato Grosso
Onde a água corre grosso
De forma descomunal.
Só água não basta não
Tem que ter seriedade
Gerenciar os recursos
Com ética e muita vontade
Com polÃticas sociais
Compromisso e ideais
E solidariedade.
Dizer que 12 milhões
De pessoas no Nordeste
Vão saciar sua sede
E ficar livres da peste
Com esta transposição
É conversa pra bobão
E não pra cabra que preste.
Peço até que me conteste
Mas, é conversa fiada
Dizer que a transposição
Vai trazer uma enxurrada
De bênçãos e matar a sede
De quem dorme numa rede
Isso é promessa de fada
Porque a nossa desgraça:
Fome, sede e coisa e tal.
Nunca foi por falta d’água
Ou recurso natural
Mas, é a concentração
De renda e a exploração
Do sistema social.
Porque a transposição
Tem o seu objetivo
Voltado ao agronegócio
O seu marco decisivo
Criador de camarão
De tilápia e de salmão
Tem água e mais incentivo.
No eixo do Ceará
O destino é consciente
�gua para a siderúrgica
Para o Pecém água quente
As empreiteiras lucrando
Com as obras faturando
E nosso povo doente.
Então vem um cearense
Radicado em Pernambuco
Escrever contra o bispo
Com sentimento caduco
Num cordel intransigente
Agressivo e inconseqüente
Igual bala de trabuco.
Seu Alan Sales devia
Pesquisar mais a história
E não cair na conversa
Tão insensata e simplória
Que a fome no sertão
É por falta d’água, irmão
Reze uma “jaculatória.�
A fome, sede e miséria
No sertão já faz alarde
Desde o tempo do império
O couro do pobre arde
É pela concentração
De terra e a opressão
Do latifúndio covarde.
O bispo Dom Cappio é
Fervoroso Franciscano
Que defende a natureza
Sem consultar o Vaticano
Seu compromisso é com a vida
Das pessoas sem guarida
Que esperam em Deus soberano.
Pois se São Francisco fosse
Vivo não comungaria
Em desviar nosso rio
Ele não concordaria
Transportar o velho Chico
Fazendo esse fuxico
Com tanta selvageria.
O bispo Dom Cappio é
Um homem justo e humano
Sem ganância e em soberba
Confirma o povo baiano
Porém foi desrespeitado
EÂ ridicularizado
Por um poeta mundano.
A greve do bispo é
Um protesto rigoroso
Contra o cruel latifúndio
Atrasado e asqueroso
Pela vida e a favor
Da justiça e do amor
Contra quem é poderoso.
Os que são contra o bispo
E sua manifestação
São também contra as lutas
De Canudos e Caldeirão
Do Beato Zé Lourenço
Conselheiro que sem lenço
Queria um outro sertão.
A atitude do bispo
É uma revolução
Como foi com o beato
Construindo o Caldeirão
E Conselheiro em Canudos
Sertanejos sem escudos
Resistindo à opressão.
Canudos e Caldeirão
Tinham tudo com fartura
Farinha, milho e feijão,
Leite, carne e rapadura
Tinham água à vontade
Mas, destruÃram a cidade
De forma cruel e dura.
A luta do bispo clama
Por vida com dignidade
Para o povo do sertão
Seja do campo ou cidade
Sem fazer transposição
Mas, buscando solução
Com solidariedade.
Se o rio for transportado
Vai se sentir muito mal
Será grande a agressão
Pra natureza em geral
Alertamos a toda gente
Que será sem precedente
O impacto ambiental.
O bispo Dom Luiz Cappio
Tem comportamento ético
É humilde e humanista
Tem pensamento eclético
Porque defende os pobres
É um perigo para os nobres
Este seu gesto profético.
O bispo Dom Luiz Cappio
Merece nosso respeito
E não ser zombado assim
Por um maldoso sujeito
Que usa a poesia
Pra dizer tanta heresia
De um homem de conceito.
A greve do bispo é feita
Para sensibilizar
Governantes insensÃveis
Para não continuar
Esta obra inconseqüente
Do rio que está doente
Devemos lhe preservar.
Porque hoje o velho Chico
Está muito ameaçado
Queimadas, desmatamento
Encontra-se assoreado
Tem que ficar no seu canto
Precisa ele, portanto
É ser revitalizado.
�gua estocada em açudes
Aqui no Nordeste tem
O problema é o destino:
Quem vai usá-la também
Quem controla é a questão
O problema é a gestão
De séculos sem fim, amém.
O presidente devia
Ouvir a população
Movimentos Sociais
E o povo do sertão
Fazer cisternas de placas
Pagar bom preço por sacas
De milho, fava e feijão.
Para que transposição
Se a água vai ser cobrada ?
O destino está traçado:
Fruticultura irrigada
Das multinacionais;
Carcinicultura e mais
Pra siderúrgica implantada.
O compromisso de Lula
Agora é com empresário
E com o agronegócio
E o latifundiário
Que atrasou o Brasil
Explorando a mais de mil
O agricultor e operário.
Se Lula não abre mão
Da obra descomunal
É porque tem compromisso
Com o grande capital
Se o bispo morrer de fome
Morre o corpo a terra come
Mas fica o seu ideal.
A concentração de renda
Desigualdade social
Falta de polÃticas públicas
Para a zona rural
É o grande mal e a mágoa
De quem não tem terra e água
Pra tomar um sonrisal.
Se a esmola é muito grande
Todo cego desconfia
Este projeto promete
Redenção e galhardia
Mas, tem “gente� interessada
Quer só o lucro e mais nada
Deus nos livre, Ave Maria.
Se o governo quer mesmo
O sertanejo com água
Faça milhões de cisternas
Para a chuva que deságua
Ser pra dentro captada
Ã?gua boa armazenada
E o povo com menos mágoa.
Façam pequenas barragens
E açudes no sertão
Sejam também equipados
Pra pequena irrigação
Com correto equipamento
E com acompanhamento
Técnico e orientação.
Se a água existente
Nos açudes armazenada
Fosse bem distribuÃda
Com justiça utilizada
Com um programa de gestão
Seria a solução
Sem transposição, sem nada.
Já chega de violência
Contra o meio ambiente
A natureza devastada
Morre bicho, planta e gente
Efeito estufa é o tal
Aquecimento global
E o planeta doente.
Defendem a transposição
E falam em crescimento
Econômico voltado
Para o desenvolvimento
Visando o lucro insano
Sem pensar no ser humano
Na vida em seu elemento.
Pensam no imediato
O lucro é sua verdade
Devastam a flora e a fauna
Nossa biodiversidade
O planeta ameaçado
Por um modelo atrasado
Sem sustentabilidade.
Dizem que isso é progresso
Que a ciência não erra
Transgênicos, Transposição
Vão devastar nossa terra
E as multinacionais
Lucrando cada vez mais
Deixando o planeta em guerra.
Conviver no semi-árido
É realmente viável
Sem transposição de um rio
Com esta agressão terrÃvel
Uma obra deplorável
Mas, outro mundo é possÃvel
Sem essa agressão terrÃvel
E com vida sustentável.
Portanto, Seu Alan Sales
Esqueça a transposição
Escreva o seu cordel
Com outra conotação
Respeite o bispo e o povo
Que querem um mundo novo
E vida para o sertão.
11 Set
O médico Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (1831-1900) é referência mundial no espiritismo e na solidariedade. Cearense nascido em Riacho de Sangue, hoje Solonópole, Bezerra de Menezes é considerado o Allan Kardek brasileiro.
Bom, esse preâmbulo é para dizer que o filme sobre vida, obra e legado de Bezerra de Menezes, dirigido pelos cearenses Glauber Filho e Joe Pimentel e estrelado por Carlos Vereza, está pertinho de ser finalizado. E, para os curiosos, já há uns pedacinhos no You Tube. Veja aqui embaixo:
10 Set
Apesar da dor em famÃlia, a Patricia, tia do Mateus, encontrou forças para agradecer o apoio de todos os cearenses, que de forma expressiva se engajaram no movimento em defesa da vida, em defesa da doação de medula óssea. Ela deixou o agradecimento e um pedido num post anterior sobre o drama do jovem Mateus, mas acho que merecem ser reproduzidos aqui, em destaque, para que um número maior de pessoas possa lê-los:
“Amigos, não tenho palavras para expressar a imensa dor que estou sentindo neste momento… Queria poder abraçar cada um de vocês e dizer-lhes o quanto eu fiquei feliz por todo esse carinho… Hoje entendo o verdadeiro significado da palavra solidariedade…Lutamos mas infelizmente não foi possÃvel… O nosso herói é uma estrelinha no céu… Uma estrelinha especial que iluminará a vida de muitas pessoas…Com ele, tocamos no coração de muita gente… Hoje, peço em nome do Mateus e de toda a minha famÃlia: doem, continuem com esta campanha… Muita gente depende da gente para sobreviver… A doação de medula é a única esperança de cura para muitos portadores de câncer… Meu muito obrigada”.
10 Set
Mateus Araripe, menino de sorriso brilhante, morreu ontem de leucemia. Vidinha bem curta, quatro anos só, mas cheia de lições pra nós que ficamos.
Não o conheci pessoalmente, não conheço a famÃlia dele, mas o que eles fizeram em nome da solidariedade e da vida merece todo o nosso reconhecimento. Eu nunca tinha visto nada disso. Nem sabia que existia, confesso. Por causa do Mateus, mais de 8 mil pessoas se inscreveram na lista de doadores de medula óssea em Fortaleza. Antes, não passavam de 200 por mês.
Mas essa é uma conta que não se encerra na matemática. É uma soma de respeito, atenção e carinho. Vai muito mais além do bobo “um mais um é sempre mais que dois”. Foi uma existência curta, já escrevi, mas muito valorosa. Importante agora é fazer com que as lições que Mateus e sua famÃlia nos deixam permaneçam.
9 Set
Deu no blog do Maurição:
“Lucinha Pavarotti está inconsolável
A valorosa Lucinha Pavarotti, ajudante de palco do radialista Jurandir Mitoso em seus programas Pajaraca no Rádio e Pajaraca na TV, está inconsolável com a morte de seu amante Luciano Pavarotti.
Ao que consta, o caso de Lucinha e Luciano já durava mais de 20 anos, desde que ele, durante turné pelo Brasil, terminou uma noite embriagado fazendo uma seresta no antigo restaurante Kuxixo, na avenida José Bastos.
Desde aquele tempo, Luciano visitava Fortaleza à s escondidas, para curtir inesquecÃveis momentos de lazer com a sua Lucinha. Boatos davam conta de sua presença na praia de Iparana, em piqueniques no Morro Branco e até numa vaquejada em Irauçuba. Sempre discreto, em suas andanças pelas bandas de cá, costumava usar disfarces, como equipamentos de mergulho, peruca rastafari ou turbante, de modo a não ser descoberto pela equipe do Must nem pelo incansável Eliomar de Lima.
Tanto que, durante esses anos todos, nunca o casal se deixou fotografar em público. Nem mesmo por ‘euzinho’ Lázaro Medeiros.
À Lucinha, nossas condolências e sinceras desculpas por ter, somente agora, cumprido o dever jornalÃstico de divulgar os fatos. Minha solidariedade a você que, como rapariga, tem que suportar a dor da saudade à distância”.
Faço meu esse tão singelo voto de pesar.
22 Ago
Pra você ver como são as coisas: alguns posts atrás, eu disse, em tom de brincadeira, que a maior rede de eletrodomésticos do PiauÃ, Armazém ParaÃba, iria boicotar os produtos da Philips, em represália à s declarações infelizes sobre o meu querido torrão natal feitas pelo empresário Paulo Zottolo, doublê de golpista e presidente da empresa multinacional para a América Latina (leia o post aqui).
Pois não é que a direção do Armazém ParaÃba resolveu mesmo fazer o boicote? Para você nem perder tempo, vou colocar logo abaixo o teor da notÃcia veiculada agora há pouco no G1 sobre a decisão da empresa piauiense. Confira:
Rede varejista no Piauà boicota Philips
O grupo piauiense Claudino, quinto maior comprador de produtos da Philips no Brasil, mandou suspender as compras dos produtos da empresa e retirar todos os aparelhos da Philips que estavam sendo vendidos no Armazém ParaÃba, a loja de departamentos do grupo.
O senador João Vicente Claudino (PTB-PI), vice-lÃder do governo no Senado e um dos executivos do Grupo Claudino, disse que o grupo empresarial de seu pai não pretende mais comprar produtos Philips por tempo indeterminado. O grupo tem mais de 300 lojas de departamentos em dez estados.
Outros empresários da região Nordeste também anunciaram que farão o boicote em solidariedade ao PiauÃ. Eles esperam que a Philips faça uma retratação, não apenas com uma nota pública de desculpas. A decisão foi tomada depois que o presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo, declarou, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que se o Piauà deixasse de existir ninguém ficaria chateado.
Um dos diretores do grupo, João Claudino Júnior, confirmou a informação. Ele disse ter recebido ligações do próprio presidente da Philips pedindo para que a decisão fosse reconsiderada, mas que preferiu mantê-la. Procurada, a Philips informou apenas que Paulo Zottolo estava viajando. A assessoria de imprensa do executivo afirmou também que ele já se desculpou em nota pública e que não tem mais o que comentar sobre o assunto. No último dia 17, Zotollo reconheceu em nota publicada em jornais que a frase foi “mal colocada� e pediu desculpas à população do estado.
A idéia de um boicote aos produtos Philips vem se disseminando entre os empresários do estado. Zottolo também se ofereceu para ir ao Piauà conversar com os empresários e com o governador para pedir desculpas pessoalmente. Mas, segundo Claudino, teria sido aconselhado a não viajar ao Estado.
A reação popular contra as declarações de Zottolo tem sido forte. Entidades estudantis organizaram na semana passada um boicote e quebraram produtos Philips em praça pública.
3 Abr
Enfim, uma nota de solidariedade ao rabino Henry Sobel, preso na Flórida (EUA) afanando gravatas de grife. Emitida por uma certa “Comunidade Internacional Brasil & Israel” e assinada por uma certa “reverenda Jane Silva”, a nota seria um alÃvio para Sobel não fosse pontuada de erros grosseiros de português. Nem o próprio Sobel falando desliza tanto. Veja o texto:
“A comunidade Internacional Brasil & Israel, através de sua presidente Reverenda Jane Silva manifesta sua solidariedade ao amado Rabino Henry Sobel pelo momento de turbulência que esta atravessando.
Rogamos ao Deus de Israel pela sua recuperação imediata. Sabemos de sua importância para o Brasil e para o mundo inteiro. Seus serviços prestados ao povo brasileiro muito acrescentou ao nosso paÃs.
Nos colocamos a sua inteira disposição para o que pudermos contribuir.
Estaremos orando para que Deus o console neste momento e conforte seu coração”.
20 Mar
Sinceramente, acho que isso tudo é culpa da propriedade privada.
Sem nem mesmo nos darmos conta, fazemos besteiras por cima de besteiras e nos apropriamos do outro, da sua consciência, dos seus valores, da sua vontade, das suas aspirações. O exemplo mais nefasto e recente disso foi dado pelo capitão valentão que resolveu se apropriar de duas vidas que não eram suas.
Nós mesmos somos propriedades dos nossos valores, das nossas crenças, dos nossos desejos, e nos arrastamos por aà atrás de vÃtimas da nossa própria ânsia de possuir, de ter o outro. O outro tem que andar na linha, e a linha boa é a minha linha, a linha que determino como boa, aquela que me pertence. É próprio da propriedade.
Se a humanidade não decidir urgentemente substituir o valor da propriedade pelo valor da solidariedade, para que todos possamos usufruir da vida como um bem comum e não pessoal ou de grupos que se põem acima do bem e do mal, isso não vai dar certo, como parece que não está dando.