Sobretudo

Para refletir e opinar

Com Luiz Carlos de Carvalho e Roberto Maciel

Espere sentado

Recebi de um candidato a vereador pelo PPS em Maracanaú um e-mail informando a conta bancária dele para contribuições financeiras.

O nome do cidadão é Cândido Pinheiro e ele se qualifica como professor.

Como não o conheço nem nunca o vi, não conheço as propostas dele, não voto em Maracanaú, não tenho afinidade política nenhuma pelo PPS e não acho meu dinheiro em calçada alta, não vou colocar lá nem um centavo.

Aí dentro, doutor!

Há uma porção de atividades em Fortaleza e, de resto, em todo o País, para recordar a ebulição política vivida pelo mundo há 40 anos, em maio de 1968.

Até mesmo o tucano Teodoro Soares achou de tirar casquinha do assunto, ora veja só.

Mas, para muita gente - nascida em maio de 1968, principalmente -, o revival é também uma lembrança de que a meia-idade chegou. Galopante e irrecorrível, implacável e dolorosa.

E de que é hora de ir ao proctologista.

Isso é que é perversidade

Roubaram hoje um fusquinha branco 86 - uma fusqueta, digamos assim, bem fuleirinha. Está lá no boletim do Ciops.

E plena Sexta-feira da Paixão!

Só não digo que é uma puta judiação com o dono do carro porque senão é capaz de o “patrulheiro do Ariel Sharon”, sujeito que vive a pressionar jornais e jornalistas que se arriscam a criticar a política belicista do Estado de Israel, vir aqui pra cima da gente.

O Leão não merece isso

Publiquei agora a pouco no Blog do Roberto Maciel, onde faço a minha carreira solo: 

“Nada contra a torcida do Fortaleza Esporte Clube. Longe disso, aliás, tudo a favor: há muita gente boa ali. Conheço exemplos formidáveis de pessoas apaixonadas pelo “Clube da Garotadaâ€?, que veste a camisa tricolor com amor e orgulho, respeito, ética e responsabilidade. Formidáveis e admiráveis, ressalto. Não torço time nenhum, mas considero-me, diga-se, um simpatizante do Fortaleza e costumo ficar feliz com suas vitórias.

Além disso, os leoninos estão de bem com a vida, sobretudo após o time dar de 3 x 1 no Ceará, domingo passado.

Mas daí para se considerar a torcida do Leão como “patrimônio� da cidade, coisa que fez hoje a Câmara Municipal, é outra conversa. A proposta, do vereador Addler Pinheiro (PMN), que ganha dinheiro como dono da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), é no mínimo legislação em favor próprio.

Addler vai para a disputa eleitoral deste ano com um amparo indevido assegurado pelos próprios colegas, que não tiveram coragem de contestar a idéia.

E argumentos há, fortes e simples. Um deles é o de que há na cidade torcidas do Ceará, do Ferroviário, Calouros do Ar (eu entre esses poucos), do Tiradentes e, quem sabe, do América e do Uniclinic e que aquele projeto, por causa disso, é, no mínimo, a abertura de porta para uma montanha de outras inocuidades.

A torcida do Fortaleza não merece se usada assim, definitivamente não merece. Melhor que ficasse protegida desse tipo de política.

Mas ano eleitoral tem dessas coisas mesmo. Oportunistas de todos os lados”.

Contra o aborto

O deputado federal do PT piauiense Nazareno Fonteles estará em Fortaleza sexta-feira que vem. Ele é secretário-geral da Frente Parlamentar em Defesa da Vida, do Congresso Nacional.

Médico, Nazareno é considerado uma das vozes mais abalizadas no movimento contra o aborto. Não só: é também um dos principais articuladores da CPI do Aborto, cuja proposta foi lançada no I Encontro Brasileiro de Governantes e Parlamentares pela vida.

O motivo da vinda tem exatamente o propósito de fortalecer a causa, ampliando a pressão política contra o projeto da ex-deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que propõe a descriminalização do aborto no Brasil.

O deputado participará de audiência pública na Câmara Municipal de Fortaleza, a partir das 10 horas.

Agora vai (pra onde mesmo?!)

O jornalista Érico Firmo postou o seguinte comentário no blog de política do jornal O Povo:

Estudo

Se você estava preocupado com a crise no setor energético, respire aliviado.

O futuro ministro do setor, Edison Lobão (PMDB-MA), disse que está “lendo sobre o assunto”.

O senador é jornalista.

Algo além do efeito Angélica

Saiu hoje no G1 uma matéria daquelas “de serviço” ensinando como se pode evitar aborrecimentos em viagens de avião. Você lê a íntegra aqui.

Sinceramente, com essa quantidade de atrasos e uma política que deixa o governo, os passageiros e as empresas à mercê dos operadores de vôos, acho que a melhor forma de evitar aborrecimentos em viagens de avião está sendo não viajar de avião.

Até de táxi vale ir.

Enquanto o Rubens Lemos escrevia o cordel baixando a lenha no bispo Cappio, o Rogaciano Oliveira, de Tauá (um dos lugares mais carentes de água onde já pus os meus pés chatos, no sertão dos Inhamuns), exaltava as “virtudes franciscanas” daquele - me perdoem os católicos, mas tenho de dizer assim - maluco que fez greve de fome para impedir que 12 milhões de pessoas possam matar a sede. Leia:

Entre as muitas balelas
Que fazem divulgação
Com promessas mentirosas
De fartura e redenção
A mais deslavada eu digo
Pode acreditar amigo
É a da transposição.

Dizem que nosso sertão
Só vai melhorar um dia
Se as águas do São Francisco
Aqui fizer moradia
Transportando o velho Chico
Fazendo o maior fuxico
Com um rio em agonia.

Eu acho uma ironia
Trazer um rio cansado
Do estado da Bahia
Pra  ele ser desviado
Do seu leito, do seu canto
Quando precisa portanto
De  ser  revitalizado.

Mas  é que foi inventado
Pelo Dom Pedro Segundo
Desde o tempo do império
Um governo moribundo
Que seria a salvação
Trazer água pra o sertão
Dum rio grande e profundo.

Mas, é preciso ir mais fundo
Na nossa realidade
Hoje é bem diferente
Seja no campo ou cidade
Do século  dezessete
Onde não pintavam o sete
Nem havia liberdade.

Sem ser dono da verdade
Posso afirmar que o rio
Sendo transposto assim
Num constrangido desvio
Para outra região
Não será a solução
Para a fome e o fastio.

Porque se  somente água
Fosse a solução real
Não existiria fome
Em bacia fluvial
Amazônia e Mato Grosso
Onde a água corre grosso
De forma descomunal.

Só água não basta não
Tem que ter seriedade
Gerenciar os recursos
Com ética e muita vontade
Com políticas sociais
Compromisso e  ideais
E solidariedade.

Dizer que 12 milhões
De pessoas no Nordeste
Vão saciar sua sede
E ficar livres da peste
Com esta transposição
É conversa pra bobão
E não pra cabra que preste.

Peço até que me conteste
Mas, é conversa fiada
Dizer que a transposição
Vai trazer uma enxurrada
De bênçãos e matar a sede
De quem dorme numa rede
Isso é promessa de fada

Porque a nossa desgraça:
Fome, sede e coisa e tal.
Nunca foi por falta d’água
Ou recurso natural
Mas, é a concentração
De renda e a exploração
Do sistema social.

Porque a transposição
Tem o seu objetivo
Voltado ao agronegócio
O seu marco decisivo
Criador de camarão
De tilápia e de salmão
Tem água e mais incentivo.

No eixo do Ceará
O destino é consciente
�gua para a siderúrgica
Para o Pecém água quente
As empreiteiras lucrando
Com as obras faturando
E nosso povo doente.

Então vem um cearense
Radicado em Pernambuco
Escrever contra o bispo
Com sentimento caduco
Num cordel intransigente
Agressivo e inconseqüente
Igual bala de trabuco.

Seu  Alan  Sales devia
Pesquisar mais a história
E não cair na conversa
Tão insensata e simplória
Que  a fome no sertão
É por falta d’água, irmão
Reze uma “jaculatória.�

A fome, sede e miséria
No sertão já faz alarde
Desde o tempo do império
O couro do pobre arde
É pela concentração
De terra e a opressão
Do latifúndio covarde.

O bispo Dom Cappio é
Fervoroso Franciscano
Que defende a natureza
Sem consultar o Vaticano
Seu compromisso é com a vida
Das pessoas sem guarida
Que esperam em Deus soberano.

Pois se São Francisco fosse
Vivo não comungaria
Em desviar nosso rio
Ele não concordaria
Transportar o velho Chico
Fazendo esse fuxico
Com tanta selvageria.

O bispo Dom Cappio é
Um homem justo e humano
Sem ganância e em soberba
Confirma o povo baiano
Porém foi desrespeitado
E  ridicularizado
Por um poeta mundano.

A greve do bispo é
Um protesto rigoroso
Contra o cruel latifúndio
Atrasado e asqueroso
Pela vida e a  favor
Da justiça e do amor
Contra quem é poderoso.

Os que são contra o bispo
E  sua  manifestação
São também contra as lutas
De Canudos e Caldeirão
Do Beato Zé Lourenço
Conselheiro que sem lenço
Queria um outro sertão.

A atitude do bispo
É uma revolução
Como foi com o beato
Construindo o Caldeirão
E Conselheiro em Canudos
Sertanejos sem escudos
Resistindo à opressão.

Canudos e Caldeirão
Tinham tudo com fartura
Farinha, milho e feijão,
Leite, carne e rapadura
Tinham água à vontade
Mas, destruíram a cidade
De forma cruel e dura.

A luta do bispo clama
Por vida com  dignidade
Para o povo do sertão
Seja do campo ou cidade
Sem fazer transposição
Mas, buscando solução
Com solidariedade.

Se o rio for transportado
Vai se sentir muito mal
Será grande a agressão
Pra natureza em geral
Alertamos a toda gente
Que será sem precedente
O impacto ambiental.

O bispo Dom Luiz Cappio
Tem comportamento ético
É humilde e humanista
Tem pensamento eclético
Porque defende os pobres
É um perigo para os nobres
Este seu gesto profético.

O bispo Dom Luiz Cappio
Merece nosso respeito
E não ser zombado assim
Por um maldoso sujeito
Que  usa  a  poesia
Pra dizer tanta heresia
De um homem de conceito.

A greve do bispo é feita
Para sensibilizar
Governantes insensíveis
Para não continuar
Esta obra inconseqüente
Do rio que está doente
Devemos lhe preservar.

Porque hoje o velho Chico
Está muito ameaçado
Queimadas, desmatamento
Encontra-se  assoreado
Tem que ficar no seu canto
Precisa ele, portanto
É  ser  revitalizado.

�gua estocada em açudes
Aqui no Nordeste tem
O problema é o destino:
Quem vai usá-la também
Quem  controla é a questão
O problema é a gestão
De séculos sem fim, amém.

O presidente devia
Ouvir a população
Movimentos Sociais
E o povo do sertão
Fazer cisternas de placas
Pagar bom preço por sacas
De milho, fava e feijão.

Para que transposição
Se a água vai ser cobrada ?
O destino está traçado:
Fruticultura irrigada
Das multinacionais;
Carcinicultura  e mais
Pra siderúrgica implantada.

O compromisso de Lula
Agora é com empresário
E com o agronegócio
E o latifundiário
Que atrasou o Brasil
Explorando a mais de mil
O agricultor e operário.

Se Lula não abre mão
Da obra descomunal
É porque tem compromisso
Com o grande capital
Se o bispo morrer de fome
Morre o corpo a terra come
Mas fica o seu ideal.

A concentração de renda
Desigualdade social
Falta de políticas públicas
Para  a  zona  rural
É o grande mal e a mágoa
De quem não tem terra e água
Pra tomar um sonrisal.

Se a esmola é muito grande
Todo cego desconfia
Este projeto promete
Redenção e galhardia
Mas, tem “gente� interessada
Quer só o lucro e mais nada
Deus nos livre, Ave Maria.

Se o governo quer mesmo
O sertanejo com água
Faça milhões de cisternas
Para a chuva que deságua
Ser pra dentro captada
Ã?gua boa armazenada
E o povo com menos mágoa.

Façam pequenas barragens
E açudes no sertão
Sejam também equipados
Pra pequena irrigação
Com correto equipamento
E com acompanhamento
Técnico e orientação.

Se a água existente
Nos açudes armazenada
Fosse bem distribuída
Com justiça utilizada
Com um programa de gestão
Seria a solução
Sem transposição, sem nada.

Já chega de violência
Contra o meio ambiente
A natureza devastada
Morre bicho, planta e gente
Efeito estufa é o tal
Aquecimento global
E o planeta doente.

Defendem a transposição
E falam em crescimento
Econômico voltado
Para o desenvolvimento
Visando o lucro insano
Sem pensar no ser humano
Na vida em seu elemento.

Pensam no imediato
O lucro é sua verdade
Devastam a flora e a fauna
Nossa biodiversidade
O planeta ameaçado
Por um modelo atrasado
Sem sustentabilidade.

Dizem que isso é progresso
Que a ciência não erra
Transgênicos, Transposição
Vão devastar nossa terra
E as multinacionais
Lucrando cada vez mais
Deixando o planeta em guerra.

Conviver no semi-árido
É realmente viável
Sem transposição de um rio
Com esta agressão terrível
Uma obra deplorável
Mas, outro mundo é possível
Sem essa agressão terrível
E com vida sustentável.

Portanto, Seu Alan Sales
Esqueça a transposição
Escreva o seu cordel
Com outra conotação
Respeite o bispo e o povo
Que querem um mundo novo
E  vida  para  o  sertão.

Ê saudade!!!

Só para não esquecer: aquele pessoal que chegou aqui no blog descatitando com a gente, só porque eu, na maior boa vontade, escrevi que o Colégio Cearense não me dava saudade nenhuma, que faliu porque foi mal gerido - assim como a Mesbla, o Romcy e a Samasa - e que abrigava uma porção de professores incompetentes, mal preparados e representantes da mais pura indigência cultural (embora eu tenha ressaltado que essa não era uma avaliação geral, porque havia lá muita gente boa, competente e bem preparada), e porque o Luiz Carlos, bom aluno do Farias Brito que foi, lembrou que a turmita marista era conhecida nos meios lá deles (”nos meios”, no bom sentido) como “cu doce”, faz festinha hoje.

O pessoal, acho, vai rir, chorar e se abraçar ao som de Village People e da Grace Jones, embora a festa esteja sendo feita ao lado do esquife do Cearense e o defunto já esteja entrando em rigor mortis.

Vai relembrar bons momentos, ou maus, sei lá, como as galhofas sobre o idoso irmão Urbano ou dos delicados Manel, Dioguim e Abraão. Ou a qualificadíssima professora Iêda. Ou de quão divertido era soltar peido alemão nas salas.

Vai se recordar das prestações que os pais pagavam com atraso, do constrangimento que devia ser sair de sala, sob vaia dos hoje queridos ex-colegas, porque o carnê não havia sido quitado. Sim, porque essa era uma política do Colégio Cearense.

Enfim, se eu tivesse certeza mesmo de que jogar a última pá de terra será tão divertido, ao som de Patrick Hernandez e Donna Summer, seria até capaz de dar uma chegada por lá. De “poita”, é claro, porque, nem imagino a razão, não fui convidado. Nem eu nem o Luiz.

P.S.: Para ser justo, devo reconhecer que fui convidado, sim, mas apenas informalmente e meio na brincadeira. A Adriana Saboya e o Adriano de Lavôr, de quem gosto muito, me chamaram. Mas eles riam tanto que eu fiquei assim, sabe?, meio desconfiado.

Djane 2008

djane.jpg

Recebi e-mail da assessoria de imprensa AD2M com o seguinte texto:

“A diretora administrativa da AD2M, Djane Nogueira, esteve em Horizonte, no último dia 4, para ministrar a palestra ‘O jovem na comunicação e na participação política de Horizonte’, que visava mobilizar os adolescentes do Centro de Ação Jovem para as atividades de comunicação pela conquista pelo Selo Unicef - Município Aprovado. O Selo é uma certificação concedida aos municípios que se destacam na implementação de projetos para crianças e adolescentes. Na palestra, também foi abordada a importância dos jovens se envolverem mais no processo político de Horizonte e participarem das eleições. Eles também tiveram a oportunidade de dar sugestões para futuras ações para crianças e adolescentes no município”.

Será que ainda dá tempo de eu mudar o meu domicílio eleitoral para Horizonte? Ser der, tô é lá.

Eu sempre disse que um dia votaria na mãe do �lvaro, a sra. Popó.

Estamos bem de comentaristas

Diogo Mainardi é genial. Ontem no Manhattan Connection (canal GNT), o Lucas Mendes tascou-lhe essa pergunta a respeito do referendo que se desenrolava na Venezuela e que ameaçava dar super-poderes e longevidade ao mandato do protoditador Hugo Chávez:

- E aí, Diogo, você que sabe tudo da América Latina, quem é que ganha na Venezuela?

Espetacular comentarista de política internacional que é, o iluminado Diogo Mainardi saiu-se com essa:

- A América Latina é uma porcaria mesmo… É óbvio que é o Chávez que vai ganhar… Ele domina a favela.

Importante dizer: Lucas Mendes pediu um prognóstico ao Mainardi, já que o resultado da consulta popular só sairia dali a algumas horas. Como se sabe hoje, Chávez e suas pretensões foram devidamente derrotados pelo povo venezuelano. Diogo Mainardi apenas se apressou, e errou feio, na previsão que fez. Normal

A propósito de emprego…

A propósito dos posts do Luiz Carlos tratando de empregos (e que empregos!!), peguei no blog do ex-ministro José Dirceu, a respeito do novo livro do jornalista Ricardo Kostcho, o seguinte texto:

Uma vida nova e feliz…

Esse é o começo do título do novo livro do jornalista Ricardo Kostcho – ‘Uma vida nova e feliz… sem poder, sem cargo, sem carteira assinada, sem crachá, sem secretária e sem sair do Brasil’ -que será lançado no sábado, dia 1º de dezembro, às 11 h, na Livraria da Vila (Alameda Lorena 1731 Jardins, São Paulo).

‘Não tem nada melhor do que ser dono do seu próprio tempo’, escreve Kostcho sobre seu novo livro, cujo título e subtítulo transformam-se em aperitivo antes de chegarmos ao seu conteúdo. Ricardo Kotscho conta para o leitor nessas páginas como é percorrer um caminho em direção ao reencontro de si mesmo.

Depois de completar quarenta anos de jornalismo com carteira assinada, sem nunca ficar desempregado, Kotscho aderiu ao trabalho autônomo. Resolveu correr o risco e adotar o esquema quando voltou de São Paulo, no final de 2004, depois de trabalhar dois anos no governo federal, em Brasília, como secretário de imprensa e divulgação da Presidência da República.

Mas para tudo há os pesos e as medidas. Como empregado público ou privado, você sabe quanto terá de dinheiro no final do mês. Tem plano de saúde, décimo terceiro e outras benfeitorias sociais (além do armário de almoxarifado disponível para o material de escritório). Quem trabalha por conta própria perde todas essas coisas. No entanto ganha outras, agora descobertas pelo autor de Uma vida nova e feliz. Entre elas, desfrutar o tempo, sem estar preso ao relógio. Curtir a família e os amigos mais de perto, e continuar a produzir e a ganhar o seu dinheiro – sem poder, sem cargo, sem carteira assinada, sem crachá, sem secretária e sem sair do Brasil.

Com 18 anos Ricardo Kotscho começou a trabalhar na grande imprensa. Ele logo se destacou como um repórter diferenciado, capaz de descobrir nas coberturas jornalísticas ângulos jamais suspeitados. Se precisava cobrir, por exemplo, um evento político, não se preocupava em ouvir apenas os figurões, queria saber o que pensava também o pipoqueiro que estava ali. Freqüentemente, nas suas reportagens, esses tópicos ‘marginais’ – aquilo que no jargão jornalístico é chamado de side story – se tornaram mais importantes e invariavelmente muito mais saborosos e ricos de conteúdo humano, do que o assunto principal que motivara a matéria.

Os textos reunidos em Uma vida nova e feliz (escritos entre 2005 e 2007 para o site NoMínimo) fogem da política. Aqui o autor trata de temas mais próximos do dia-a-dia das pessoas. Enquanto Kotscho revisava essas crônicas, ele encontrou meio sem querer, um fio condutor que amarra e dá sentido a essência do livro: ‘A liberdade na escolha de onde queremos ir e dos assuntos sobre os quais escrevemos, constatei, depende da liberdade de conduzir a nossa vida, dos lugares aonde pisamos, das pessoas com quem convivemos, do tempo livre de que dispomos. Livre da pauta e dos horários dos outros, pude criar minha própria rotina’”.

À falta de coisa melhor para fazer, um grupo paulistão, assim como são os tucanos, a garoa, o Reinaldo Azevedo, o Diogo Mainardi e os carecas do ABC, aproveitou o feriado de quinta-feira passada para dizer que existe. E mandou e-mail para um monte de redações com o teor abaixo. Só o reproduzo agora porque tive de passar os últimos dias pesquisando Internet a dentro para saber se houve alguma repercussão. Não houve. Leia:

Monarquistas propõem parlamentarismo

Reunidos em São Paulo (SP), na pesarosa data de 15 de novembro, uma lembrança que nos remete a 1889, quando foi proclamada por um golpe a república brasileira, monarquistas do Brasil tomaram a decisão de divulgar um alerta a todos os brasileiros. Vivemos, de longa data, um cenário de desagregação política, institucional e social. Desde aquele fatídico ano de 1889, o Estado se transformou em parasita da sociedade brasileira. Quase 40% da produção nacional são tomados pelos três níveis de governo, praticamente sem retorno à nossa população. São cinco meses de trabalho de cada um de nós, durante um ano!

No cenário político o panorama é desolador. As propostas só avançam conforme a conveniência de grupos políticos e não de acordo com os interesses populares. Não temos projetos nacionais de longo prazo. Em troca, apresentam-nos paliativos que só iludem a população.

O Brasil está se desfazendo em todos os aspectos, com um agravante maior. Como Nação, estamos nos tornando submissos a interesses externos de países vizinhos, antes nossos parceiros. Estamos nos ajoelhando aos desejos de estranhos à nossa nacionalidade.

Cientes dessa realidade e conscientes de solução viável para nosso País, através do parlamentarismo monárquico, a exemplo do que acontece em nações que adotam esta forma de governo, nós monarquistas decidimos nos congregar numa Confederação Monárquica para melhor apresentar ao nosso povo a viabilidade do que propomos e defendemos. Tomando isto como base, convidamos todos os brasileiros a que se unam neste ideal do parlamentarismo monárquico. Vamos construir um novo Brasil!

São Paulo, 15 de novembro de 2008

Confederação Monárquica do Brasil”

O nome disso é chantagem

Recebi o seguinte texto por e-mail. É um release de divulgação de um evento que se realizará amanhã. Os grifos são meus:

“Coordenador do V Encontro dos Secretários de Turismo do Ceará diz que ‘abrirá caixa preta’”

O V Encontro dos Secretários Municipais de Turismo do Ceará, que acontece nesta segunda-feira, 20 horas, com coquetel no Plenário 13 de Maio (Assembléia Legislativa) e vai até o dia 14 de novembro quando define o seu documento maior, a ‘Carta de Fortaleza’, poderá ter momentos de muita ’saia justa’ para autoridades estaduais e municipais.

Desgostoso com o que chama de descaso, o coordenador do evento, Fernandes Filho (Ceará Tour) fez questão de declarar que, caso o Secretário do Furismo (sic) do Estado, Bismarck Maia não ‘aparecer, eu abro a caisa (sic)  preta do evento’.

Maia foi convidado a participar da abertura dos trabalhos, no dia 13 e não confirmou sua participação. Fernandes Filho chegou mesmo a publicar uma ‘carta aberta’ reclamando da falta de apoio não só do Secretário do Estado, a quem reputa ser ‘homem de reconhecida e inigualável história pública e reconhecidamente de serviços prestados ao setor turístico do Ceará e em razão dela é merecedor de todo respeito e estima verdadeiramente conquistada’ como de outros órgãos públicos.

Mesmo sem o apoio devido e necessário, Fernandes Filho fará o Encontro que dentro do tema central ‘O Estado do Ceará como um equipamento Turístico sustentável’ discutirá temas como educação com geradora de empregos, as potencialidades turísticas do Estado do Ceará e muitos outros.

O Encontro conta com apoios: Fortaleza Convention & Visitors Bureau, SindieventosCE, SenacCE, Dani Sign, SecrelNet, Balreis, Elo Propaganda e Inesp.

Como neste ano o evento será realizado no espaço da Assembléia Legislativa, serão dispensadas as inscrições, exceto pela doação de uma lata de leite em pó, por inscrito, que será revertida em prol do Lar o Pequeno Nazareno”.

Agora, repare o seguinte: Ceará Tour é uma empresa privada, ou um projeto. Pertence a uma organização não-governamental - há muitas dessas por aí, inclusive sob investigação no Senado. O trecho a seguir, extraído de um comentário assinado pelo próprio Fernandes Filho, no site Mídia Independente, deixa isso claro: “Sou presidente de uma ONG e através do projeto Ceará Tour, atuo no estado do Ceará onde realizo eventos de cunho cultural e turístico”. (leia na íntegra aqui). Não é um fórum de secretários ou de técnicos de turismo, não é órgão público.

Nada obriga o Governo do Ceará ou o secretário Bismarck Maia, moral, ética, política, administrativa ou tecnicamente a apoiar a iniciativa proposta. Não existe isso de “apoio devido e necessário”. Menos ainda depois dessa ameaça.

A propósito, o que parece que falta ao evento é credibilidade. Desde o ano passado o realizador tenta emplacar a quinta edição do Encontro. No comentário que postou no Mídia Independente, datado de março de 2006, ele informa isso e, mais uma vez, reclama de não ter recebido dinheiro do Governo.

 E, afinal, o que é “abrir a caixa preta do evento”? Será que isso não seria ruim para o próprio evento?

Hitler entre os brasileiros

Recebi o texto abaixo de Saulo Tavares, representante da comunidade judaica no Ceará:

“A edição de outubro da revista da FAPESP traz uma importante matéria intitulada ‘Entre a feijoada e o chucrute’. Aborda importante trabalho de pesquisa de Ana Maria Dietrich. Nazismo tropical? ‘O partido nazista no Brasil’, tese de doutorado de Ana Maria, recém-defendida na Universidade de São Paulo, traz novas luzes sobre um velho chavão.

Pesquisando em arquivos alemães, entrevistando antigos militantes do partido no país e até as filhas do Führer tupiniquim, Hans Henning von Cossel, o chefe da célula nazista brasileira, Ana descobriu que mesmo o nazismo é passível de tropicalização quando abaixo do Equador. ‘Essa tropicalização ocorreu de acordo com as nuances que a realidade brasileira impôs ao nazismo. Assim foi possível aos alemães e descendentes ao mesmo tempo comemorar o aniversário de Hitler e uma Festa de São João, tomar cerveja alemã e comer canjica’, explica a pesquisadora.

Esse é o lado anedótico do nazismo à brasileira, mas há fatores mais importantes e igualmente desconhecidos: o partido nazista brasileiro funcionou por dez anos no país, atuando em 17 estados brasileiros (incluindo-se improváveis Bahia, Pará e Pernambuco), com 2.900 integrantes, um contingente só superado pelo partido na Alemanha. Dos 83 países que tiveram uma “filial” do NSDAP hitleriano, o Brasil ocupa o primeiro lugar, na frente da Ã?ustria, país natal do Führer.

Aliás, antes mesmo de Adolf chegar ao poder, em 1933, o partido nazista já existia por aqui. Em 1928, antecedendo em cinco anos a ascensão de Hitler, foi criado um grupo em Benedito Timbó, Santa Catarina, não só a primeira célula estrangeira do país, como a primeira do movimento nazista no exterior. Assim como o comunismo preconizava sua internacionalização, nazistas, seus rivais, queriam o mesmo. ‘O partido nazista no Brasil era para a Alemanha muito mais importante do que para o Brasil. Enquanto o governo brasileiro não se incomodou por dez anos com sua existência, o governo hitlerista fez dele o representante do povo alemão em território brasileiro e as ações contra este partido tinham conseqüências diretas nas relações com o Brasil’, observa Dietrich”.

Está explicada por esse gentil acolhimento de parte de nossa gente ao pensamento criminoso de Hitler, então, a tendência violenta de alguns políticos brasileiros em diferentes fases da política brasileira. E ponto final.

João e o mangue

E vou aqui num quase repeteco do post anterior. Com licença, por obséquio.

As edições deste domingo dos jornais Diário do Nordeste e O Povo têm bons pontos de leitura. Um é o artigo do advogado e ex-deputado federal João Alfredo, no O Povo.

João começa assim:

“A coluna Política do jornal O POVO de 23.10.2007 traz uma boa notícia aos entusiastas dos mecanismos da democracia direta. Ali, ficamos sabendo que o Procurador-Geral da República ofereceu parecer contrário à Ação Direta de Inconstitucionalidade movida, no âmbito do STF, pelo PSDB, contra dispositivo da lei federal que permite a submissão à consulta popular de atos administrativos.

Trata-se do embate jurídico-judicial envolvendo o empreendedor da Torre do Iguatemi e a Prefeitura de Fortaleza, em função do encaminhamento à Câmara da cidade de proposta de referendo sobre a licença ambiental por ela, Prefeitura, concedida ao empreendimento. O parecer, então, poderá subsidiar a posição do Supremo e permitir a realização do referendo”. Leia mais aqui.

Escreveu e leu

Quando assumiu a Secretaria da Cultura do Ceará, o filósofo e jornalista Francisco Auto Filho anunciou que buscaria fazer uma “gestão bolivariana” - uma menção óbvia à política do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Pois bem: hoje, no finzinho da manhã, Auto se reuniu com o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio García Montoya, levando a reboque o secretário-adjunto do Turismo do Estado, Osterne Feitosa (o titular, Bismarck Maia, está viajando). E deram o primeiro passo para articular acordos entre os governos do Ceará e da Venezuela nos segmentos de cultura e turismo.

Ou seja, isso é que é levar o bolivarianismo ao pé da letra.

Pra ficar mais fácil

Publicado hoje na Coluna Comunicado, do Diário do Nordeste:

Antes tarde
A prefeita Luizianne Lins (PT) enviou à Câmara Municipal de Fortaleza mensagens com projetos criando duas novas coordenadorias especiais de políticas públicas ligadas ao seu gabinete, uma para mulheres e outra para a juventude. Apesar da importância social dos temas e do peso que tiveram na campanha da petista em 2004, vale notar que Luizianne está buscando efetivar os órgãos, que incluem, é lógico, um bom punhado de cargos comissionados, dois anos e 10 meses após iniciar seu mandato. E justamente às vésperas de um novo ano eleitoral”.

A caixa preta é caixa prego

Navegando pela Internet, o radialista baiano José Tarcizo Vieira Diamantino veio dar com os costados no Sobretudo e encontrou o texto Ecad no paredão, aqui publicado pelo Luiz Carlos.

E, tiririca da vida com o dito Ecad, mandou-nos o seguinte comentário, o qual fiz questão e aprovar e para o qual faço questão de abrir este post:

“Quero relatar que o Ecad na Bahia tomou uma atitude no mínimo estranha. Através de uma ação na Justiça conseguiu tirar do ar a programação musical da rádio 88 FM, de Porto Seguro. Tal atitude causa estranheza porque a entidade nunca fiscalizou emissoras de região e, desde da fundação da radio, há 11 anos, sequer apresentou uma planilha de execução à direção da rádio. Estamos desde a última sexta feira, 12 de outubro, impedidos de tocar músicas e o Ecad não se pronuncia sobre a situação de outras emissoras. Se tem que pagar, que seja igual para todos. No nosso caso, a ação do Ecad não foi técnica, foi política. A rádio em questão faz oposição ao atual prefeito e o único meio de nos calar foi usando o Ecad.
É preciso abrir a caixa preta do Ecad!”

A denúncia é pra lá de grave. Se for verdade o uso político da empresa, é um desvio e tanto. Se for verdade que a empresa nunca apresentou planilha de cobrança à 88 FM, é uma negligência e tanto.

Além do mais, me parece uma imensa incongruência o fato de o Ecad, que deveria batalhar para abrir espaços para que autores veiculem suas músicas e possam, assim, receber seus direitos, sair por aí fechando emissoras de rádio.

Autran por Nonato

Escreveu-se muito sobre o ator Paulo Autran nos últimos dias. Só coisa bacana - merecidamente bacana, diga-se. Concordo com quase tudo. Um dos textos mais legais que encontrei, dando uma pesquisada em blogs e sites, foi do Nonato Albuquerque, em sua Antena Paranóica. Pesquei-o para compartilhar com vocês:

“Sempre que um ator sai de cena, a imagem que fica entre o público é a de que ele se recolhe ao camarim para desfazer-se das vestes e maquiagem do personagem que encarnou no palco. Paulo Autran ocupa esse lugar no camarim da espiritualidade neste momento; ele acaba de deixar o palco da Terra. Nesse palco, multiplicou-se em individualidades. Em cada uma, a dignidade de ser ator de grande competência.

Quando lhe lembravam ser ele um mito, um monstro sagrado do Teatro, Paulo reclamava; dizia-se apenas um profissional da arte. Alguém que exerceu com maestria, o ofício do interpretar. E que mágica profissão essa, onde indivíduos recolhem máscaras e vão repovoando a imaginação do público, reconstruindo identidades, vidas marcadas por sentimentos e emoções diversas.

Num país onde muitos tentam ocupar os lugares reservados aos artistas, principalmente os que lidam na Política, a dignidade de ser um ator com toda a importância que ele foi, nos dá a garantia de que seres de qualidade superior ainda transitam entre nós e a esperança de que, apesar de tudo, ainda há reservas morais difundindo Arte em nome da melhor Arte, celebrando Vida em função do exercício Viver.

Paulo deixa o palco da Terra num feriado de outubro. No camarim da espiritualidade, refúgio para onde todos os homens se reintegram na sua individualidade mais plena depois da vida material, provavelmente ele deve estar largando com tranquilidade e consciência de ter vivido bem, a máscara do Homem nascido em 1922 no Brasil e que é um importante exemplo de Vida.

Estou certo de que ele cumpriu sua etapa mais brilhante nesse círculo das interpretações que cada indivíduo dispõe no curso das existências. Paulo Autran, excepcional em ‘Liberdade, Liberdade’, numa época em que mais se reivindicava essa conquista - e que está no filme ‘O Ano em Que Nossos Pais Sáíram de Férias’, o nosso representante no Oscar 2008, revela nele o seu canto de cisne. A sua gloriosa passagem no cenário de um palco chamado Terra”.

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