5 Set
Nem eu e nem o Roberto estamos de férias, como a (não) atualização do blog pode levar a crer. Na verdade, o Roberto está envolvido com a organização do Canoas Blues e eu com uma campanha eleitoral em Juazeiro do Norte.
Nenhuma tag para este post.29 Ago
Confesso que não li a crítica dos jornalistas da Folha e do Estadão sobre o show de Caetano Veloso e Roberto Carlos, mas pelo que o baiano arretado diz em seu blog já dá até para imaginar o conteúdo da dita cuja. Espia só:
Estou tão enfronhado no Rio com esse projeto da Obra em Progresso que tenho me sentido longe à beça de São Paulo. Vim aqui fazer o show com o Rei no belo teatrinho do Niemeyer no Ibirapuera e senti o tamanho da saudade que eu estava de Sampa. O teatro é elegante e induz à quietude. Se o show fosse no Ginásio do Ibirapuera, o ruído dos aplausos assustaria a boba da Folha e o burro do Estadão que escreveram sobre o show. Há anos não leio nada tão errado sobre música brasileira - e, mais uma vez, envolvendo Roberto Carlos e este transblogueiro que vos fala. Se eu tivesse direito a convite, teria chamado Augusto de Campos para estar presente ao encontro: foi ele quem escreveu o primeiro texto de apoio crítico à Jovem Guarda, prefigurando o tropicalismo e opondo a energia da turma de Roberto e Erasmo à pretensão da turma de Elis. São Paulo é isso. Quando vi a Ponte Otávio Frias em frente aos prédios pós-modernos da Marginal Pinheiros (prefiro prédios pós-modernos aos chamados modernos que encheram nossas cidades de desarmonia, em nome da racionalidade) me senti esperançoso. Dei entrevista a Jô (onde disse isso) e segui para o lançamento do livro do Mangabeira na Casa das Rosas. Agora (já às duas e meia da manhã) o provincianismo fraco dos articulistas dos dois grandes jornais locais não conseguiu abalar essa sensação. O Brasil de Tom, que é o Brasil que precisa estar à altura da bossa nova, cresce para fora e para longe do Brasil dos débeis de cabeça e de coração.
Escrevo isso só para mostrar aos que comentaram as críticas hilárias da província paulistana que também li e que fiquei com pena dos dois fanfarrões que não sabem nem escrever. O do Estadão então é inacreditável. Como é que qualquer editor deixa sair um texto com tantos erros de português, tantas redundâncias e obscuridades, tamanha incapacidade de articular pensamentos? A da Folha não sabe pensar mas exprime de forma primária esse seu não-saber. O outro, nem isso. O texto dele é tão mal escrito que a gente tem de adivinhar o que ele pensa - e chega à evidência de que pensa errado. Mas de alguma forma o artigo da mulher parece ser mais prejudicial do que o do cara. Não respondo aqui a ela nem a ele. Nada digo aos jornais que os publicaram. Deixo aos leitores paulistanos que viram o show. Eles vão escrever protestando. Os jornais talvez publiquem algumas das cartas.
Nenhuma tag para este post.28 Ago
Lá vai uma dica para ouvir uma boa música enquanto trabalha ao computador: clique aqui e tenha acesso ao conteúdo de mais de 1.000 CDs de música da melhor qualidade, de 1957 aos dias atuais.
O troço lá é romeno e, numa rápida pesquisa, só encontrei de produto brasileiro a Bebel Gilberto, com “Tanto tempo”, de 2000.
Em tempo: não dá para fazer download. É só para ouvir, mas já é grande coisa.
Nenhuma tag para este post.28 Ago
O festival Canoa Blues aproveitará a sua passagem por Aracati para levar ações de inclusão cultural também para as crianças e jovens de Canoa Quebrada.
Em parceria com a Associação Cultural Canoa Criança, entidade sem fins lucrativos que promove atividades culturais para crianças e adolescentes de baixa renda, o Canoa Blues irá oferecer aulas de gaita para cerca de 40 crianças assistidas pela associação. A entidade também promove aulas de circo, estímulo à leitura e inclusão digital.
O Canoa Blues acontecerá de 12 a 14 de setembro e terá como atrações nacionais Blues Etílicos, Sérgio Duarte & Entidade Joe e Jefferson Gonçalves (que comandará uma superjam session com a banda local Blues Label) e as cearenses Puro Malte e De Blues em Quando.
Em tempo: todos os shows serão gratuitos.
Nenhuma tag para este post.27 Ago
Nota que trago do meu Blog do Roberto Maciel:
“O paulistano Sérgio Duarte e sua Entidade Joe estão entre as atrações do Canoa Blues, festival que será realizado em Canoa Quebrada (Aracati), que também reunirá a Blues Etílicos, Jefferson Gonçalves, Puro Malte, De Blues em Quando e Blues Label e que terá todos os shows completamente gratuitos para o público.
O Canoa Blues acontecerá de 12 a 14 de setembro próximo. Curta aí o Sérgio (voz e gaita), com Celso Salim (guitarra), Paulinho Sorriso (bateria) e Rodrigo Mantovanni (baixo)”:
Nenhuma tag para este post.21 Ago
Post que trago do Blog do Roberto Maciel:
“Em primeiríssima mão: a banda Blues Etílicos, referência maior do blues brasileiro, vai se apresentar num festival em Canoa Quebrada. Será no dia 13 de setembro. Num show aberto, gratuito para o público.
O nome do festival é Canoa Blues, que começará no dia 12, com o paulistano Sérgio Duarte e sua banda, a Entidade Joe e a banda cearense Puro Malte. Também estarão lá De Blues em Quando, Blues Label e Jefferson Gonçalves.
Veja aí um pouco da Blues Etílicos”:
Nenhuma tag para este post.6 Ago
Como o Vasco da Gama está numa de dar dó, só me restam duas opções: torcer para que ele não caia para a segunda divisão e frescar com a derrocada do Flamengo, que já se julgava o todo-poderoso, e agora, quando não ganha, perde. Enfim, uma tristeza, para não dizer o contrário, claro.
Pois agora há pouco pesquei no blog do Ancelmo Gois (flamenguista roxo, diga-se de passagem; se bem que quem a postou foi o Aydano André Motta) uma música que fizeram para o Mengo, baseadíssima na tal “Egüinha Pocotó” (lembram-se?!). Está que é um primor. Espia:
Vou mandando um abraço
pro Tardelli e pro Toró!
Só nao posso esquecer… É do Menguinho pocotó
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó!
É o Menguinho pocotó!
Veio o Bruno e o Marcinho,
Chamando as p… pro forró!
Mas quando eles foram ver,
Eram o Tardelli e o Toró!!!
Pocotó, pocotó, pocotó…. Lá vem Menguinho pocotó!
Um dia atrás ele era líder,
Hoje já não tá mais só.
É cavalo paraguaio?
Ou Menguinho pocotó?
Pocotó, pocotó, pocotó… É o Menguinho pocotó!
Se ferrou contra o Vitória!
Contra a Lusa, até deu dó!
Caio Júnior quis ficar,
E tomou no fiofó !!!!!
Pocotó, pocotó, pocotó… É o Menguinho pocotó!
O Felipe vem chegando,
E dizem que não está só,
Tá trazendo o grande Love
Eu não sei quem é pior!!!
Pocotó, pocotó, pocotó… É o Menguinho pocotó!
Kléber Leite comemora,
Com aquela cara de bocó!
Dizem que tá prometendo
Contratar o Mossoró…
Pocotó, pocotó, pocotó… É o Menguinho pocotó!
O Marcinho já deu linha,
O Souza fez bem mió,
Saiu antes de afundar
Com o menguinho pocotó…
Pocotó, pocotó, pocotó… É o Menguinho pocotó!
Nenhuma tag para este post.16 Jul
Futucando no Google, o gaitista Jefferson Gonçalves (foto) descobriu que o disco novo que ele lançou, Ar Puro, está na íntegra num site. E de grátis.
Em vez de ficar fumando numa quenga, Jefferson, boa praça que é, mandou a seguinte mensagem para seus amigos:
“COMO NÃO POSSO E ACHO QUE NEM DEVO BRIGAR POR ISSO, ATÉ POR QUE A VENDA DO CD ESTÁ INDO BEM E JÁ FIZ UMA NOVA PRENSAGEM, QUERO APROVEITAR PARA PASSAR O LINK PARA OS INTERESSADOS EM ESCUTÁ-LO E QUE AINDA NÃO CONSEGUIRAM COMPRAR.
http://baixandotudomp3.blogspot.com/2008/05/jefferson-gonalves-ar-puro.html”
Como eu tenho o CD, para o qual escrevi o texto do encarte, não vou nem olhar. Mas se você não o tiver, e já que é o próprio autor que está dando o toque, fica a minha sugestão: vá lá e baixe. O disco é genial.
E mais: se puder, vá a um dos shows que o Jefferson fará aqui este mês. A agenda é essa:
Dia 24 - Lançamento do CD AR PURO, às 20h, no Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua São Pedro, 337 – Juazeiro do Norte).
Dia 25 - Lançamento do CD AR PURO, às 20h, no Sesc Crato (Rua André Cartaxo N°443 Bairro São Miguel – Crato).
Dia 26 - Lançamento do CD AR PURO, às 18h30min, no Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto 941 – Fortaleza).
Dias 28 a 30 - Oficina de Gaita, às 15h, no SESC SENAC Iracema (Rua Boris 90- Praia de Iracema – Fortaleza).
12 Jul
Tá, confesso, o post anterior foi de pura sacanagem com o Luiz Carlos, bom torcedor do Calouros do Ar que sou.
Mas foi graças a essa sacanagem que achei no You Tube esse video abaixo, com o saxofonista e clarinetista cubano Paquito de Rivera, fera do Latin Jazz, e Yo-Yo Ma, violoncelista francês de origem chinesa que se criou nos Estados Unidos - deu pra entender? -, metendo bronca no Um a Zero.
*** ***
A propósito, que me apresentou a Yo-Yo Ma foi Demócrito Dummar. Em 1999, ele me deu meu primeiro CD do cara, intitulado Soul of the Tango, uma homenagem a Astor Piazzolla. Genial.
Nenhuma tag para este post.12 Jul
Uma música aí pra vocês: é do genial Pixinguinha, executada pelo Quarteto de Flautas de Helsinki.
O título é Um a Zero.
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12 Jul
Não me lembro desde quando curto o som de Eric Clapton, já faz um bocado de tempo. No mínimo, desde 2002, quando nasceu a minha filha e eu lhe dei o nome de Layla, um dos primeiros sucessos do músico inglês.
Agora, estou lendo a autobiografia dele, lançada ano passado. Um livro excelente, onde ele se mostra por inteiro, relatando seus dramas com o vício, primeiro de drogas e depois de álcool.
Sem meias palavras, fala também das vezes em que transou com a mulher de um de seus melhores amigos, George Harrison. Para ela, Clapton fez, em apenas dez minutos, uma de suas melhores músicas, Wonderful Tonight.
Sobre o chifre no ex-beatle, Eric Clapton conta uma passagem pitoresca. Já morando junto com Pattie Boyd, ele recebeu Harrison em sua casa e travaram o seguinte e surreal diálogo:
George: Bem, suponho que seja melhor eu me divorciar dela.
Eric: Bem, se você se divorciar, isso significa que terei que casar com ela.
* * *
Clapton e Pattie casaram-se em 27 de março de 1979, apesar de já viverem às turras.
11 Jul
Legal essa: de 23 a 26 próximos, será realizado o VII Festival de Sanfoneiros de Limoeiro do Norte - terra no meu amigo Moacir Maia e de um monte de bicicletas.
Haverá workshops, oficinas, feiras culturais e uma competição de sanfonas envolvendo 22 músicos. As apresentações serão na Praça José Osterne. Os quatro primeiros colocados receberão prêmios em dinheiro.
O festival inclui também shows de instrumentistas bambambans, como Renato Borghetti (RS), a dupla cearense Ítalo & Renno e a alemã Cathrin Pfeifer, que fará um show ao lado do violonista piauiense mas cearense de coração Gilberto Fonteles, o Jabuti.
Pra você sentir o drama, ponho aí Ítalo & Renno, acompanhados pelos irmãos Miquéias (baixo) e Néo dos Santos (bateria), diretamente do Youtube:
Nenhuma tag para este post.6 Jul
Todo mundo que nos lê sabe que o expert em blues aqui da casa é o Roberto Maciel, mas vez ou outra aparece alguém dando uma sugestão bem interessante. Como é o caso do Neudson Aquino, que me enviou a seguinte mensagem:
Luiz não sei se tu já chegou a ver esse vídeo. É de um guitarrista de 8 anos numa jam session com a lenda do Blues, Buddy Guy. O garoto, fã de Beatles, tocando uma “miniatura” da lendária Fender do Clapton (Blackie) literalmente detona, e deixa o Buddy Guy de queixo caído. Realmente incrível!!! Achei que dava um post legal pro sobretudo. Se concordar, coloca por lá…
* * *
Claro que eu nem precisava ir lá no You Tube conferir o vídeo para depois colocá-lo aqui. Se é uma indicação do Neudson, já está valendo. E como o próprio Maciel já disse que o Sobretudo estava meio silencioso, chegou o meu momento de sonorizar o blog (mesmo que às custas dos outros, claro). Toca aí, DJ:
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5 Jul
Com o Sobretudo tem estado meio silencioso nos últimos dias, resolvi bater o pó (no bom sentido), fazer um pouco de fumaça (também no bom sentido) e jogar uma água nestes dias de bafômetro.
E trago um dos mais conhecidos riffs de guitarra da história da música, em Smoke on the water, com o antológica Deep Purple numa de suas melhores formações (Ian Guillan na voz. Ritchie Blackmore na guitarra, Jon Lord nos teclados, Roger Glover no baixo e o genial Ian Paice na bateria).
Embaixo, 1.683 caras que não tinham nada para fazer e decidiram se juntar para tocar Smoke on the water.
Foi no Kansas. Coisa de gringo, como se vê.
Pode aumentar o som, se quiser:
Nenhuma tag para este post.3 Jul
Em seu novo filme (Hancock), Will Smith está a cara do Carlinhos Brown.
Com a diferença de que o Smith é muito menos mala que o Brown.
Nenhuma tag para este post.2 Jul
Achou que as festas juninas tinham acabado?!
Pois se prepare. Ainda em clima junino, o tradicional Arraiá do Ferreira, em quarta edição, vai levar à Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, desta quinta e até o próximo sábado, sempre a partir das 17 horas, uma programação gratuita e diversificada com apresentação de quadrilhas e grupos folclóricos, shows musicais, barracas de comidas típicas e de brincadeiras, como pescaria, jogo de argolas, tiro ao alvo, barraca do beijo, correio do amor e simpatias.
Entre as atrações principais estão os shows de Messias Holanda e do o forró pé-de-serra de Sergiane e banda Corta Fogo e o cantor Cacau Brasil.
A programação conta também com um animado Festival de Quadrilhas que irá premiar os grupos de maior destaque de Fortaleza.
Nenhuma tag para este post.6 Jun
Morreu ontem um músico bom pra danar - Ronald da Silva. Ele está para a gaita como Luiz Gonzaga está para a sanfona.
Quando estava no jornal O Povo, fiz uma entrevista com ele. Foi quando ele veio aqui, liderando a Troupe da Gaita, tocar no Dragão Jazz 2001. Acima, um videozinho do You Tube, com Ronald (de boina branca) e seu grupo. E entrevista vai abaixo:
Nenhuma tag para este post.“Banalização cultural. É assim que o harmonicista Ronald Silva vê o cenário da música brasileira, em que o instrumental é confinado a um público restrito e o mercado consome e exige cada vez mais uma ‘autêntica parada de sucessos da mediocridade’.
Roberto Maciel
da RedaçãoO nome completo do engenheiro florestal é Ronald Pereira da Silva, mas o músico atende por Ronald da Gaita. Aos 61 anos, é considerado um dos mais completos hamonicistas do mundo. E não é à toa. Para ele, gaita extrapola ritmos populares, como MPB, jazz e blues, e se expande para peças clássicas. Composições de Antonio Vivaldi, como o ”Concerto Nº 6 em Lá Menor para Violino e Cordas”, transcrito pelo próprio Ronald para a gaita cromática, e de Radamés Gnatalli, como o ”Concerto Nº 1 para Harmônica e Orquestra”, integram seu repertório.
Coordenador da Troupe da Gaita, grupo que arrancou aplausos entusiasmados do público do III Dragão Jazz, realizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura no final de julho, Ronald iniciou-se profissionalmente na música em 1956, ao conseguir o segundo lugar em um concurso de ”Melhor Instrumentista do Ano”, de uma rádio de Curitiba - cidade onde nasceu e onde mora. Hoje, dedica-se à consultoria técnica da Fábricas de Harmônicas Catarinense, que produz os modelos Hering, e à Troupe da Gaita. Nesta entrevista ao Vida & Arte, ele fala sobre música instrumental, mercado fonográfico e formação de novos músicos.
O POVO - A música instrumental no Brasil é, com raras e honrosas exceções, tratada a pontapés pela indústria fonográfica. No entanto, o público dá boas respostas a trabalhos como o da Troupe. As gravadoras estão matando de inanição uma galinha dos ovos de ouro?
Ronald Silva - Esse descaso não é exclusivo das gravadoras, mas um reflexo do comportamento da sociedade. Na verdade, a indústria fonográfica produz e leva ao público a música que é solicitada. Estamos vivenciando, já há muitos anos, um extenso período de banalização cultural. A música popular, uma das formas mais eloqüentes de expressão cultural, desceu às profundezas da insensibilidade, da falta de qualidade. As composições que prosperam, que são veiculadas pela televisão ou pelo rádio, correspondem a uma autêntica parada de sucessos da mediocridade. É o glamour do mau gosto e da mais rasteira qualidade, com raríssimas exceções. Assim, quando um grupo musical como a Troupe da Gaita se apresenta para um público como o de Fortaleza, as reações são extraordinárias. O aplauso e o carinho da platéia demonstram que uma parcela do público está insatisfeita e frustrada com a música veiculada pela mídia. Mas devemos considerar que se trata de uma parte restrita do público consumidor. A expressiva maioria, infelizmente, não integra a seleta platéia que lotou o III Dragão Jazz. É possível considerar que para as gravadoras pouco importa a existência de grupos bem estruturados musicalmente como a Troupe da Gaita, os Cariocas, Zimbo Trio e tantos outros que poderiam compor uma aquarela de música popular sensível e bem executada. Quando a Troupe nasceu, a ”galinha dos ovos de ouro” da música popular já estava em profunda agonia.OP - O que é mais difícil: ter fôlego para tocar gaita por 44 anos ou ter fôlego para brigar contra o marasmo da indústria fonográfica?
RS - Sem dúvida, é necessário ter muito fôlego comercial para resistir às imposições e restrições da indústria fonográfica. Existem razões de caráter qualitativo, decorrentes da baixa qualidade da atual música popular, e de ordem comercial originadas pelo custo de produção, direitos autorais, divulgação, distribuição e venda. A indústria fonográfica sofreu uma sensível alteração em sua estrutura a partir das gravações em fita cassete e CD, que podem ser reproduzidas de maneira irregular por qualquer pessoa. Atualmente, existem inúmeras organizações realizando este tipo de comércio ilegal. A maioria das gravadoras foi seriamente envolvida e atingida por um mercado paralelo, baseado na produção pirata, absolutamente alheio ao recolhimento de impostos, de direitos autorais e custo zero com relação à produção de estúdio. Enquanto as gravadoras têm que cumprir todas as exigências fiscais e bancar os custos de produção e divulgação de um disco, a indústria pirata apenas produz cópias baratas deste trabalho e concorre com o mercado com um preço sempre muito mais baixo para o consumidor, mas com um produto de péssima qualidade. Essa concorrência desleal afasta as gravadoras dos artistas de menor apelo comercial, exigindo um trabalho de marketing intenso, portanto, mais caro, e determina um retorno muito lento do investimento. A demora nas vendas estimula a curto prazo o aparecimento do disco pirata e outra vez recomeça o ciclo…OP - Apesar das dificuldades de mercado, a Troupe da Gaita já se mantém há sete anos. E sem ter gravado nenhum disco, com exceção de um demo em um show em Curitiba. Após esse tempo todo, há algum projeto de CD?
RS - São muitas as razões pelas quais a Troupe da Gaita ainda não gravou o seu primeiro CD. De algumas já falamos. Outras são de ordem artístico-musical. O grupo foi sendo estruturado aos poucos e à medida da sua evolução técnica começou a sentir a orientação do repertório, o estilo musical, performance de palco e as características adequadas aos arranjos musicais. Foi um processo lento, pois, embora o grupo tenha sua origem no início de 92, o trabalho foi conseqüência de reciclagens musicais no estudo da harmônica. A formação inicial era muito diferente da atual. Apenas dois dos atuais integrantes são remanescentes do grupo inicial. Praticamente foi a partir de meados de 97 que o grupo passou a ter interesse profissional. Ou seja, somente nestes três últimos anos nos preocupamos com os detalhes importantes para um disco. Mas, estamos empenhados em gravar o CD, principalmente porque consideramos importante o registro desta atual fase musical da Troupe e também pelo propósito de divulgar ao grande público a nossa orientação musical e a promoção da gaita no cenário musical.OP - A receptividade do público de Fortaleza à Troupe da Gaita no Dragão Jazz foi extremamente calorosa - parece que foi um caso de amor à primeira vista, já que era o primeiro contato do grupo com uma platéia nordestina. Isso estimula a Troupe a buscar novas platéias fora do Sul?
RS - A receptividade em Fortaleza foi agradavelmente surpreendente. A atenção e o carinho do público nos emocionou muito, a ponto de desequilibrar um pouco logo no início do espetáculo. Eu particularmente fiquei um tanto quanto perdido no palco… Não sabia exatamente que atitude assumir. Não sabia se dialogava com o público, se anunciava os próximos temas do repertório. Na verdade, não entendia muito bem o que estava ocorrendo. Parecia que a Troupe da Gaita estava sendo apresentada aqui pela quinta ou décima vez. A energia emanada da platéia, as reações das pessoas diante do nosso trabalho insinuava que por muitas vezes eu já havia pisado naquele palco. Foi muito gratificante.OP - Além da Troupe, você coordenou outra formação, a Orquestra Harmônicas de Curitiba, dá cursos, desenvolveu um método para gaitas cromáticas e é consultor da Harmônicas Catarinenses, que fabrica as gaitas Hering. De onde surgiu essa paixão por um ”instrumento exótico”, como a harmônica era considerada na década de 40?
RS - Fui um dos idealizadores e fundadores da Orquestra Harmônicas, que coordenei musicalmente desde seu início, em março de 1979, até dezembro de 1999 quando deixei o grupo. A paixão por um inusitado instrumento como a gaita é outro caso de amor a primeira vista. Começou por volta de 1954, quando eu tinha meus 14 anos e fui inoculado pelo ”vírus da gaita”. Coisa de jovem, nos intervalos das aulas, no pátio do Colégio Bom Jesus junto com outros amigos, alguns dos quais tocavam gaita, instrumento muito popular naquela época. Entretanto, para mim, a gaita não foi apenas passageira. Constitui-se em uma fonte vital. Eu vivia gaita, respirava gaita. Jamais consegui imaginar a possibilidade de não mais tocar harmônica. Esse estado ”patológico” foi se agravando e atingiu seu ponto mais elevado quando eu tive a oportunidade de ouvir o Edu da Gaita. Posteriormente, conheci meu grande amigo e incentivador Fred Williams. Então, passei a ser um ”doente crônico”. Durante estes 47 anos, dos quais 44 de atividade profissional, rastreei tudo a respeito de gaita. Harmonicistas como Larry Adler, Leo Diamond, Jerry Murad, Don Les, Johhny Puleo, Richard Haymann, Stan Harper, Charles Leighton, Eddie Manson, muitos deles originários da grande escola dos Rascal’s de Minevitch (Borrah Minevitch, gaitista russo que criou a harmônica cromática) foram meus ídolos e mestres. Além de Edu e Fred, outros harmonicistas brasileiros como Nelson Barbosa, Zezinho de Lima e meus grandes amigos Maurício Einhorn e Rildo Hora constituiram uma fonte onde eu busquei minha formação. Atualmente, além de coordenar a Troupe da Gaita, mantenho um estreito relacionamento com a Fábrica de Harmônicas Catarinense, desenvolvendo projetos para novas harmônicas e realizando uma supervisão sobre a produção das harmônicas cromáticas. Sendo uma entre as quatro fábricas de harmônicas do mundo, a única na América Latina, a Hering vem produzindo excelentes instrumentos. A Troupe da Gaita e eu utilizamos exclusivamente gaitas Hering, exceção apenas aos modelos não produzidas pela empresa.OP - Há uma nova geração de gaitistas surgindo no Brasil, como Jefferson Gonçalves, Benevides Chiréia Júnior, Márcio Maresia, Vasco Faé e outros. Essa ”molecada” está se comportando bem, professor?
RS - A nova geração é muito promissora e vem dar mais fôlego para a gaita. No Brasil, nos últimos 30 anos, houve um sensível declínio com relação ao instrumento. É possível que estes jovens gaitistas venham a impulsionar a gaita como instrumento presente na música popular. A grande maioria dos expressivos gaitistas internacionais tiveram sua formação com a gaita diatônica e só a partir da criação e evolução da cromática (entre 1920 e 1930) direcionaram sua atenção para o novo instrumento, capaz de executar todos os gêneros musicais, inclusive a música de concerto.OP - Mas há um detalhe: a maioria dos novos gaitistas interessa-se só pela diatônica, a gaita mais usada no blues. A cromática, que tem potencial maior, é meio esquecida. Alguns até a acham ‘careta”…
RS - É provável que muitos dos atuais bluseiros se tornem exímios harmonicistas na cromática. Talento, qualidade e disposição eles têm. E muito”.
31 Mai
Fomos ontem à noite, eu e a Fernanda, ao Mercado dos Pinhões. Um show do gaitista brasiliense Pablo Fagundes, acompanhado de músicos de Fortaleza, nos levou lá. Chorinho na veia, da melhor cepa, reunindo experiências e gerações diferentes no mesmo palco.
Confesso que não compus expectativas maiores do que a de ouvir excelentes artistas numa apresentação memorável - expectativa essa que se confirmou. Sei que já se realizam atividades do gênero lá há muitos e muitos fins de semana. Até Zé da Velha e Silvério Pontes já baixaram por lá. Eu é que, displicente, nunca me animei a ir.
Agora, e peço ao leitor que abstraia o meu retardamento, chamou-me atenção o clima bacaníssimo do local, o aproveitamento de um espaço caro à cidade para manifestações de qualidade e a animação, educação e respeito do público. Havia gente de idades diversas, mas predominando uma faixa mais madura. Expressões de felicidade no rosto, palmas respeitosas ao fim de cada música, uns arriscando uns passinhos de dança, outros bebericando.
Havia tanta gente que tivemos de ficar num bar ao lado, mas ouvindo tudo com muita atenção.
O que vimos ontem é prova de que com alguma boa vontade, inteligência e criatividade é possível ao poder público oferecer à sociedade ambientes e espetáculos de qualidade. E fiquei sabendo também que a grande articuladora desse Mercado de arte é a mãe da prefeita Luizianne Lins (PT), Luiza.
Fiquei feliz pelo Mercado dos Pinhões, mas também trouxe de lá algumas dúvidas a zunir nos ouvidos: 1) Aquela é uma política pública bem elaborada ou apenas capricho (e capricho dos bons, ressalto) de mãe? 2) Se não fosse Luiza Lins, o Mercado teria hoje o que tem? 3) Por que a Prefeitura não leva iniciativas semelhantes a outros espaços similares, situados em bairros populares?
De um modo ou de outro, envio daqui os meus parabéns a Luiza Lins. Coração de mãe, afinal, não falha.
*** *** ***
E pra finalizar ponho aí um videozinho do Pablo tocando com Dominguinhos e Ted Falcon - um gringo apaixonado por música brasileira. Só pra você sentir o nível:
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29 Mai
Sabe aquela história da viagem do governador Cid Gomes (PSB) à Europa, levando a sogra? Pois é: já apareceu música sobre o caso.
Na base da molecagem bem cearense. E o que é pior: misturando forró de quinta categoria com axé desqualificado.
Aí já é demais.
Escute aqui: aviao_do_cid
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Soube pelos meus filhos, que ontem foram a um evento musical no Beach Park, com o nome de Aqua Movement (sim, apesar desse inglês todo, estamos no Brasil!), que o cantor Bruno Gouveia, do grupo Biquíni Cavadão, fez um discursinho rápido sobre o nível a que desceu o arte nesse nosso País:
- O Brasil tem música de muita qualidade e em muitos estilos. Por que é, então, que tanta gente está escutando o Créu?, perguntou.
Seguinte: você, como ou, pode nem colocar a música do Biquíni Cavadão na categoria “de qualidade”, mas há de dar razão ao Gouveia em questão.
Mais ainda: se o queixoso cantor tivesse chegado lá como eu cheguei para deixar o Pedro e a Marina, tendo de atravessar um tonelada de lixo sonoro às margens da avenida que dá no Beach Park, veria que existem a dança-do-quadrado e o chupa-que-é-de-uva e outras baboseiras mais. E que, diante disso, o Créu é bem capaz de ser o menor dos males.
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