Sobretudo

Para refletir e opinar

Com Luiz Carlos de Carvalho e Roberto Maciel

Arquivos para ‘Literatura’ Category

Saramago, o cagado

De José Saramago tenho uma lembrança muito engraçada - até hoje rio.

Lá pelos idos de 1998, num caderno sobre literatura & afins que o jornal O Povo publicava, o Walter Coe, jornalista de melhor cepa, arguto e de texto inatacável, escreveu sobre a surpresa que tinha sido a escolha do escritor português como Prêmio Nobel de Literatura naquele ano.

É claro que não lembro ipsis litteris o que o Walter pôs, mas era mais ou menos o seguinte:

“Todo mundo pensava que fulano ou beltrano levaria o Nobel, mas veio Saramago, o cagado, e ficou com o prêmio”.

Sim, Waltim escreveu “Saramago, o cagado”. Lira Neto, ombudsman naqueles dias, espumou, me lembro bem.

Pois é, Saramago, o cagado, agora é blogueiro. Assim como eu e o Luiz Carlos, o Roberto Jefferson, o ex-governador Lúcio Alcântara e o Leonardo Fontes. E o Nonato Albuquerque, o Eliomar de Lima, a Maísa Vasconcelos, o Maurição e o Emílio Moreno. E o Kenji, o Fernando Bresslau, a Bruna Surfistinha. A diferença é que nenhum de nós tem o Nobel. Nem é cagado.

Trago para vocês, pois, um texto que pincei do blog dele. O cara escreve bem mesmo, sabia?

“Podemos dormir descansados, o aquecimento global não existe, é um invento malicioso dos ecologistas na linha estratégica da sua “ideologia em deriva totalitária”, consoante a definiu o implacável observador da política planetária e dos fenómenos do universo que é José María Aznar. Não saberíamos como viver sem este homem. Não importa que qualquer dia comecem a nascer flores no Árctico, não importa que os glaciares da Patagónia se reduzam de cada vez que alguém suspira fazendo aumentar a temperatura ambiente uma milionésima de grau, não importa que a Gronelândia tenha perdido uma parte importante do seu território, não importa a seca, não importam as inundações que tudo arrasam e tantas vidas levam consigo, não importa a igualização cada vez mais evidente das estações do ano, nada disto importa se o emérito sábio José María vem negar a existência do aquecimento global, baseando-se nas peregrinas páginas de um livro do presidente checo Vaclav Klaus que o próprio Aznar, em uma bonita atitude de solidariedade científica e institucional, apresentará em breve. Já o estamos a ouvir. No entanto, uma dúvida muito séria nos atormenta e que é altura de expender à consideração do leitor. Onde estará a origem, o manancial, a fonte desta sistemática atitude negacionista? Terá resultado de um ovo dialéctico deposto por Aznar no útero do Partido Popular quando foi seu amo e senhor? Quando Rajoy, com aquela composta seriedade que o caracteriza, nos informou de que um seu primo catedrático, parece que de física, lhe havia dito que isso do aquecimento climático era uma treta, tão ousada afirmação foi apenas o fruto de uma imaginação celta sobreaquecida que não havia sabido compreender o que lhe estava a ser explicado, ou, para tornar ao ovo dialéctico, é isso uma doutrina, uma regra, um princípio exarado em letra pequena na cartilha do Partido Popular, caso em que, se Rajoy teria sido somente o repetidor infeliz da palavra do primo catedrático, já o oráculo em que o seu ex-chefe se transformou não quis perder a oportunidade de marcar uma vez mais a pauta ao gentio ignaro?

Não me resta muito mais espaço, mas talvez ainda caiba nele um breve apelo ao senso comum. Sendo certo que o planeta em que vivemos já passou por seis ou ou sete eras glaciais, não estaremos nós no limiar de outra dessas eras? Não será que a coincidência entre tal possibilidade e as contínuas acções operadas pelo ser humano contra o meio ambiente se parece muito àqueles casos, tão comuns, em que uma doença esconde outra doença? Pensem nisto, por favor. Na próxima era glacial, ou nesta que já está principiando, o gelo cobrirá Paris. Tranquilizemo-nos, não será para amanhã. Mas temos, pelo menos, um dever para hoje: não ajudemos a era glacial que aí vem. E, recordem, Aznar é um mero episódio. Não se assustem”.

Se você quiser ler mais, clique aqui.
_______________

69, segundo Norman Mailer

mailer.jpgSite da BBC Brasil informa que o renomado escritor Norman Mailer (foto), falecido no início de dezembro, recebeu o prêmio Bad Sex in Fiction Award, “pela pior descrição de um ato sexual na literatura de ficção em inglês”. Mailer foi agraciado com o prêmio, distribuído pela revista de literatura britânica The Literary Review, por um trecho de sua última obra, The Castle in the Forest, ainda sem tradução no Brasil. O trecho descreve uma cena de sexo oral mútuo - a posição conhecida como “69? - entre um casal.

E aí, você ficou curioso pela descrição do “69″ de Norman Mailer? Pois segue abaixo um fragmento do texto. Não é muito extenso, mas por intermédio dele já dá para concordar com a escolha. Dê só uma espiada e, se quiser, deixe a sua opinião: 

Fragmento do trecho

 …Klara trocou a cabeça pelos pés e pôs sua parte mais inominável sobre a boca ofegante e o nariz dele, e colocou o velho peão cansado dele dentro de sua boca. Ele estava agora mole como um pedaço de excremento…

Dica cultural

Da jornalista Kelly de Castro, com quem tive o prazer de trabalhar, mesmo que por pouco tempo, na assessoria de imprensa do governo Lúcio Alcântara, recebo a dica cultural abaixo.

Despertar nas crianças da família a idéia de que o Natal é a festa de aniversário de um menino, o Menino Jesus. Com esse objetivo, as famílias Alcântara, Rosário, Ponte Albuquerque, juntamente com amigos, mantêm a tradição de realizar, todo fim de ano, o Auto de Natal. As crianças ficam ansiosas para participar. Os adultos se organizam em um grande círculo, aguardando o texto a ser lido.

O livro Autos de Natal em Família, da escritora Beatriz Alcântara, reúne textos das festas natalinas desde 1992, embora ela não se lembre quando exatamente tomou a decisão de organizá-los.

De lá para cá, algumas lacunas ficaram abertas. Mas a idéia de compilar os Autos de Natal, na opinião de Beatriz Alcântara, vai garantir que um maior número de famílias participe integralmente desse momento único, que é a celebração da data máxima da cristandade – o nascimento de Jesus. Uma idéia memorável neste momento em que a paz e a união das famílias devem ser cada vez mais valorizadas.

O lançamento do livro Autos de Natal em Família, da escritora Beatriz Alcântara, acontecerá neste sábado (22), às 11 horas, na livraria Livro Técnico (Rua Dom Joaquim, 54), ao lado do Flórida Bar. Durante o evento, haverá apresentações de músicas natalinas, sob a regência do maestro Poty. A obra é da Editora Labirinto.

O Luisinho vai se dar é bem

livro.jpgEsta certamente o fotógrafo Antônio Luiz Ferreira da Silva Filho, o Luisinho, já colocou em sua agenda de bocas-livres do mês: o jornalista Rodolfo Espínola lança na próxima sexta-feira, 26 de outubro, a partir das 19 horas, no hall da reitoria da Universidade de Fortaleza (Unifor), o livro “Caravelas, Jangadas e Navios - Uma História Portuária”.

Pelo tamanho dos pesos-pesados que convidam para o lançamento (Fundação Edson Queiroz, M. Dias Branco, Construtora Marquise e Banco do Nordeste), o coquetel vai bombar. E o Luisinho, que não perde um, vai se esfalfar de tanto comer e beber de grátis.

E por falar em gays…

Depois de muito suspense, a escritora britânica J. K. Rowling, autora do mega-hiper-supersucesso Harry Potter, revelou que Albus Dumbledore, diretor da escola de magia Hogwarts, é gay.

- Oooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

Hoje termina o Fortal. Que bom, vou poder voltar pra casa.

E hoje também termina o Pan. Que bom, vamos deixar de encontrar diariamente com o Galvão e outros proto-galvões querendo nos convencer que nós brasileiros, que enchemos a Rede Globo de dinheiro em eventos como os Jogos Pan-Americanos, somos melhores do que todos em tudo. Ou, pelo menos, melhores do que cubanos e argentinos.

A propósito disso, lembrei de uma crônica genial do Sérgio Porto, i.e. Stanislaw Ponte Preta, que retrata com perfeição esse espírito de Galvão. Vasculhei no Google e achei no Releituras.

Leia aqui. Você vai gostar, aposto.

Maysa por Lira

1941205_41.jpgAcabei de ler por esses dias “Maysa - Só numa multidão de amores”, do jornalista Lira Neto (editora Globo). Gostei. Recomendo a leitura.

Maysa Monjardim, que um dia foi Matarazzo, era porralouca, barraqueira, alcoólatra, mãe ausente, nem sempre cumpridora de obrigações profissionais. Mas foi também uma mulher intensa - seja lá o que você entenda como “intensa”. E cantava pra caramba.

A propósito, Lira participará do Programa Literato, no Centro Cultural BNB de Fortaleza, na próxima terça-feira (19/6), a partir das 19h. Estarei lá, junto com o professor Dilmar Miranda, debatendo com o autor.

A volta do besta-fera

rk.jpgConheci o cara em 1983, entrando na faculdade de Comunicação Social da UFC - e lá se vão 24 anos. O nome dele ainda era Ricardo Kelmo de Oliveira Galvão.

O nome mudou. Hoje é Ricardo Kelmer. Não virou jornalista, mas o texto preciso não se perdeu. Agora é escritor. Os cabelos também não continuam os mesmos. Estão rareando por cima. Os que ficaram são representantes do que outrora foi uma vasta cabeleira.

Mas isso tudo é besteira.

O importante é que Ricardo Kelmer lança quarta-feira dois novos livros em Fortaleza. Um chama-se “Blues da Vida Crônica“. É uma coletânea de 46 textos sobre temas variados. O outro é “Guia do Escritor Independente - Como publicar seus livros e gerenciar a carreira literária”. Traz um punhado de idéias sobre como abrir espaços no meio editorial e sobreviver ali sem ser um Paulo Coelho.

Para não perder a viagem, Ricardo fará duas noites de autógrafos. A primeira será amanhã, no Espaço Lumen (Rua Bento Albuquerque, 977 - Cocó), às 19h30min, a outra será quarta-feira, no Bar do Papai (Rua Monsenhor Bruno esquina com Torres Câmara, na Aldeota), às 20h. E com show do Lúcio Ricardo.

Links


Arquivos


Meta