Sobretudo

Para refletir e opinar

Com Luiz Carlos de Carvalho e Roberto Maciel

Arquivos para Setembro, 2008

Que Reinaldo Azevedo que nada!!!

Para fazer um contrapeso (e que contrapeso, heim?!) à carga negativa que é o Reinaldo Azevedo, em assunto postado logo abaixo pelo Roberto Maciel, nada melhor que a Mulher Samambaia dando (onde?! onde?!) uma de repórter em Tambaba, praia de nudismo localizada na Paraíba.

Reinaldo Azevedo e o preconceito a gente

Escrito pelo jornalista Reinaldo Azevedo, que a direita raivosa, rancorosa e espumante diz ser um grande “polemista”, no livro que lançou recentemente:

“Crescer é ter direito a preconceitos. Não gosto de aviões, comida japonesa, comunistas, jazz, solo de saxofone, presidentes semi-analfabetos, especialista em vinhos, pão com gergelim e gente que faz passeata pela paz”.

Como é essa história? Ter direito a preconceitos? No meu tempo, preconceito era burrice, jamais crédito empenhado pela vida.

Tá certo que todos os temos, uns muito, outros poucos, mas os temos. Eu mesmo tenho um preconceito danado a respeito das idéias do Reinaldo Azevedo. Abomino-as, aliás, embora ache que ele tenha direito de tê-las e de divulgá-las e de conquistar corações e mentes como as dele. Faz parte.

Reinaldo deve deplorar pessoas como eu e como você também.

Eu, por exemplo, gosto de aviões. E de comida japonesa. Respeito comunistas, apesar de achar suas práticas e conceitos ultrapassados. Adoro jazz e solos de saxofone - até solos de contrabaixo e de bateria, com qualidade, acho bacanas. Presidentes com óbvias deficiências de alfabetização, como Abraham Lincoln e Lula, já se mostraram bem mais eficientes do que gente “preparadíssima”, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, o general Costa e Silva e o médico Radovan Karadzic, de quem a Bósnia lembra muito bem. Não só admiro como nutro uma certa inveja de especialistas em vinhos - e faz sentido, já que mal consigo passar do universitário Sangue de Boi. Acho pão com gergelim o máximo, embora nem sempre o recheio seja agradável. E sobre quem faz passeatas pela paz, por fim: acho que estão lá querendo só uma coisa, a paz.

Na concepção de Reinaldo Azevedo, que acha que crescer é ter direito a preconceitos, eu sou, evidentemente, um merda.

E é bem capaz de aparecer gente aqui querendo tirar o meu couro. De já, informo que aprovarei os comentários equilibrados.

Mas aviso: quem me chamar de filho da puta vai ficar de fora.

Parabéns, Eliomar

Para começo de conversa, o Eliomar de Lima é da minha turma de faculdade. Assim como o Marconi Alves e o Ivan Bezerra. Este trio (Eliomar, Marconi e Ivan) fez um bocado de comédia logo no básico, e, claro, prosseguiu curso a dentro. Para deleite de todos nós.

O Eliomar, fresco que ele só, inventou um tal de Professor Bezerra, só para tirar sarro do Ivan, hoje repórter do DN e doublé de locutor esportivo da TV Diário. Pois bem. O Eliomar inventava as maiores maluquices tendo o tal Professor Bezerra como protagonista. Quando não eram palestras sobre os temas mais variados, eram lançamentos de livros com os títulos os mais diversos e exóticos. E, para divulgar as tais palestras e lançamentos fictícios, o Eliomar ora colava cartazes nos flanelógrafos, ora deixava avisos nos quadros-verdes.

Tinha gente de outros cursos do Centro de Humanidades (como psicologia, história, letras e ciências sociais) que, ignorando a origem de toda essa putaria, vinha ao Centro Acadêmico Tristão de Athayde, da comunicação social, ávida por mais detalhes sobre os tais eventos do tal Professor Bezerra. Até explicarmos quem era o Professor Bezerra…

Enfim. O Eliomar cresceu profissionalmente e hoje é um dos mais dinâmicos repórteres da imprensa cearense. E bote dinâmico nisso. Além de redator da Vertical (do jornal O Povo) e repórter de rádio e TV, ele ainda encontra tempo para blogar, cuidar da família, tomar umas cervejinhas na Parquelândia (no Besouro Verde?) e conferir a missa da Igreja Redonda.

E todas essas reminiscências é apenas para parabenizar o Eliomar por dois anos à frente do seu blog (com certeza na lista de favoritos de todo chefe de reportagem que se preze).

Parabéns, Eliomar, você merece. Até assinar a Vertical. E por que não?!

Sensação de coito interrompido na Fórmula 1

Estava tudo sendo armado para um domingo de alegria na Fórmula 1. Na primeira corrida noturna da história da modalidade, Felipe Massa, que largou na pole, liderava a prova, mantinha Hamilton à distância e, em alguns momentos, chegou a fazer a melhor volta. No entanto, os mecânicos da Ferrari tinham que atrapalhar a nossa alegria dominical. E lá se foi Massa para o último lugar, com direito ainda a pagar penalidade nos boxes, sem a menor chance, portanto, de figurar pelo menos entre os oito primeiros.

E a sensação que ficou foi mesmo de coito interrompido. Infelizmente.

Sobre diploma de jornalismo

O jornalista Guálter George escreve na edição deste sábado do jornal O Povo sobre a querela da exigência de diploma de jornalismo. Como sempre, bem fundamentado. Claro que sou suspeito para falar, porque, além de amigo do Guálter, sou também a favor do diploma (se você quiser ler o artigo dele, clique aqui).

Mas o motivo desse comentário é para divulgar a notícia abaixo, enviada pela também amiga e jornalista Klycia Fontenele. Espia:

Pesquisa CNT/Sensus revela: mais de 70% da população brasileira é a favor do diploma para jornalista

A pesquisa de opinião nacional CNT/Sensus, divulgada no último dia 22, em Brasília, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), registra que a maioria da população brasileira é a favor da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Dos dois mil entrevistados em todo Brasil, 74,3% se disseram a favor do diploma, 13,9% contra e 11,7% não souberam ou não responderam.

Fenaj comemora resultado

Os dados foram muito comemorados pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e pelos sindicatos de jornalistas. Para o presidente da FENAJ, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional.

Sociedade quer garantia de informação de qualidade

“Esses números da pesquisa CNT/Sensus mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados”.

Murillo afirmou, também, que esses dados ficam ainda mais importantes com a proximidade da votação da exigência do diploma pelo STF e espera que ministros percebam o desejo da sociedade.

Impacto no julgamento do diploma pelo STF

“O STF tem a chance de mostrar à população que anda junto com seus anseios, reconhecendo que jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia”.

74,8% aprovam a criação do Conselho Federal dos Jornalistas

A Pesquisa CNT/Sensus quis saber, também, o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Para a pergunta: o sr. (a) acha que deveria ou não deveria ser criado um Conselho Federal dos Jornalistas, para a regulamentação do exercício da profissão no País – como as OAB’s para os Advogados e os CREA’s para os Engenheiros, o resultado foi que 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam.

42,7% acreditam nas notícias que lêem

A última pergunta relacionada ao tema foi sobre a credibilidade das notícias. Parte dos entrevistados, 42,7%, disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.

Dois mil questionários aplicados em 24 estados

A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, com dois mil questionários aplicados em cinco regiões brasileiras e 24 estados, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho – PPT. A margem de erro é de mais ou menos 3%.

Cu de Apito não pode

Vi essa notícia no blog do Mário Aragão e fiquei muito triste, como dezenas de pessoas que tiveram a oportunidade de comentar sobre o assunto.

João Batista Cordeiro (o bonitão das tapiocas aí do lado) concorre a prefeito de Bela Cruz, no interior do Ceará, pela coligação Mãos Limpas. Mas queria concorrer com o apelido que é conhecido na cidade há mais de 30 anos. Nada mais justo, né não?! Mas assim não entendeu a Justiça Eleitoral, que impediu o registro do apelido.

Será que é só porque o apelido é Cu de Apito?

Renato Gaúcho não! Renato Gaúcho não!

Fresquinho que ele só, o Roberto Maciel outro dia postou aqui um comentário sobre o retorno do Renato Gaúcho ao Vasco da Gama, tirando sarro da minha cara, vascaíno que sou, e puto também com a “competência” profissional do dito cujo.

Pois não é que um torcedor vascaíno, igualmente puto com o retorno do Renato Gaúcho, resolveu suicidar-se?! Duvida? Pois veja no vídeo abaixo. O torcedor, inclusive com a camisa do clube da cruz de malta, tentou pular de um viaduto no Méier, zona norte do Rio de Janeiro.

Cá para nós: está certíssimo que o tal do Renato é uma enganação, uma empulhação só, mas tirar disso motivo para suicídio já é um pouquinho demais, né não?!


 

Já sei o que não vou fazer dia 3

Prepare-se. Agende-se. Roberto Justus vem aí.

Depois de traçar algumas beldades e de querer imitar o Sílvio Santos, ele está dando agora uma de cantor.

Gostaria muito de saber o perfil do público que topa pagar para assistir um show desses.

Para mim, nem de graça.

O que tem a ver a bunda com as calças?

O réveillon do Marina já está à venda. E promete uma festa portuguesa com certeza.

Mas péra aí. Festa portuguesa com Jorge Aragão, Jammil e Aviões do Forró?!

Tem alguma coisa errada aí, tem não?!?

A não ser que o brinde seja um livro do Saramago ou um CD do Roberto Leal.

Baixaria em Juazeiro do Norte

Na madrugada desta quinta-feira, 25 de setembro, dois comitês da coligação Vitória do Povo (PT, PSB, PC do B, PHS, PRP e PSC) foram atacados por vândalos que mancharam os banners que contêm a fotografia do candidato a prefeito, Dr. Santana, líder na pesquisa do Ibope (52% contra 25% do candidato do PSDB, Manoel Salviano). O ataque, que utilizou tinta azul contra a imagem do candidato, é apenas um dos recentes casos de violência e autoritarismo no processo eleitoral de Juazeiro.

Detalhe: a cor da tinta utilizada contra os banners é similar àquela utilizada para pintar os muros do candidato Salviano.

  • 2 Comentários
  • Escrito em: Ceará
  • Singularizando

    singular.JPG

    Na base do control C + control V, trago post que publiquei no Blog do Roberto Maciel (www.diariodonordeste.com.br/roberto)

    Está prontinha para ser levada ao respeitável público a nova edição da Singular, revista que achjo simplesmente genial e que é publicada, por cima de pau e pedra, pelo jornalista Eliézer Rodrigues.

    O próximo número será lançado sábado que vem, por volta do meio-dia, no Flórida Bar.

    Ao lado, a capa da dita cuja. Abaixo, uma amostra grátis da qualidade da Singular:

    “Eleições 2008
    Graciliano Ramos na cabeça
    E a lengalenga dos candidatos aos cargos públicos continua empanturrando a paciência do eleitor. Oferecimentos de dádivas espetaculares (porém nunca cumpridas, tal como foram prometidas pelos eleitos), mimos, promessas absurdas… Tudo engana-bobo. Caso esta Singular tivesse poderes onipresentes de sair por aí, nas eleições de outubro próximo, percorrendo os 5.562 municípios brasileiros (número informado pela Confederação Nacional dos Municípios), iria difundir, à exaustão, projetos de governo similares àqueles praticados por Graciliano Ramos. Antes de ser consagrado como o melhor romancista brasileiro da geração modernista, o autor de ‘Caetés’ (1933); ‘São Bernardo’ (1934); ‘Vidas Secas’ (1938); ‘Infância’ (1945), ‘Memórias do Cárcere’ - póstuma (1953) e de outras obras, foi prefeito de Palmeira dos Índios, em Alagoas. Quando da sua prestação de contas ao governo do Estado, relativa ao ano de 1928, deu exemplo de austeridade de homem público, comprometido com a gestão fiscal responsável.
    Ao redigir relatórios da administração, o ‘mestre Graça’, como ficou conhecido posteriormente, deu exemplo de respeito e ética no trato com o dinheiro público.

    Nascido em Quebrangulo, no sertão alagoano, em 1892, ele revelou, ao redigir os famosos relatórios, o seu talento literário. Demonstrando determinação, humor e ironia, Graciliano escreveu ao Governador, como encontrou a Prefeitura:
    ‘Havia em Palmeira inúmeros prefeitos: os cobradores de impostos, o Comandante do Destacamento, os soldados, outros que desejassem administrar. Cada pedaço do Município tinha a sua administração particular, com Prefeitos Coronéis e Prefeitos Inspetores de Quarteirões. Os fiscais, esses, resolviam questões de polícia e advogavam.

    Para que semelhante anomalia desaparecesse, lutei com tenacidade e encontrei obstáculos dentro da Prefeitura e fora dela - dentro, uma resistência mole, suave, de algodão em rama; fora, uma campanha sorna, carregada de bílis. Pensavam uns que tudo ia bem nas mãos de Nosso Senhor, que administra melhor do que todos nós, outros me davam três meses para levar um tiro.
    Dos funcionários que encontrei em janeiro do ano passado restam poucos. Saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma. Os atuais não se metem onde não são necessários, cumprem suas obrigações e, sobretudo, não se enganam em contas. Devo muito a eles.
    Não sei se a administração do Município é boa ou ruim. Talvez pudesse ser pior’.

    Entre os funcionários que Graciliano demitiu, um deles era encarregado de matar porcos que perambulavam pelas ruas sujas, de Palmeira. Após um dia de serviço, o tal funcionário, de espingarda em punho, voltou à Prefeitura, assustado. Indagado pelo Prefeito, se tinha feito o trabalho, ele disse que não, pois matara quase todos os porcos vadios, exceto os animais pertencentes ao pai de Graciliano, seu Sebastião. Graciliano, em cima das buchas, retrucou: ‘Prefeito não tem pai’. E demitiu o empregado por não cumprir as ordens recebidas.
    Na conclusão do relatório, Graciliano foi enfático:

    ‘Não favoreci ninguém. Devo ter cometido numerosos disparates. Todos os meus erros, porém, foram da inteligência que é fraca. Perdi vários amigos, ou indivíduos que possam ter semelhante nome. Não me fizeram falta. Há descontentamento. Se a minha estada na Prefeitura por estes dois anos dependesse de um plebiscito, talvez eu não tivesse dez votos. Paz e prosperidade. Palmeira dos Índios, 10 de janeiro de 1929′.
    Após dois anos que estava no comando do município, lutando contra a truculência do coronelismo arraigado, o velho Graça renunciou. Ou renunciava, ou cedia, coisa que nunca esteve disposto a fazer. Por conta dessa honestidade teimosa, anos depois, foi preso, porém sem acusação formal no processo.

    Graciliano Ramos faleceu no dia 20 de 1953″.

     

    Trago do Blog do Roberto Maciel:

    “A coligação liderada pelo PT em Juazeiro do Norte protocolizou hoje na Justiça Eleitorial pedido de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Miratécnica (que nome!) Rodrigues Castelo Branco Sampaio, José Ronaldo Couto Feitosa e Manoel Salviano Sobrinho.

    Salviano é candidato a prefeito pelo PSDB. Miratécnica (que nome!) é candidata a vereadora. Ronaldo é vereador e busca a reeleição. Daí, a ação requer a cassação do registro das candidaturas dos dois primeiros e mandato do terceiro. E, claro, multa, conforme a lei prevê.

    Eles são acusados de comprar votos e de abuso do poder econômico.

    Dando motivo para que os três se peguem com tudo que é santo, a ação foi deferida pela juíza da 119ª Zona, Raquel Colares, que determinou que Miratécnica (que nome!), Manoel Salviano e Ronaldo Couto se defendam até sábado próximo”.

    Escravos pós-modernos

    Outros blogs já veicularam a informação abaixo, mas estamos dando mais completinha - com dados da assessoria de Imprensa da Superintendência local do Ministério do Trabalho:

    “Uma equipe de fiscais do Grupo de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 141 trabalhadores encontrados em condições degradantes na usina de álcool AGROVALE no municipio de Paraipaba, a 80 km de Fortaleza (CE). Dentre eles, havia cinco menores, sendo quatro que atuavam no corte de cana-de-açúcar e um na indústria. Do total de resgatados, 55 estavam no canavial e 86 no parque industrial da usina.

    No corte da cana-de-açúcar - atividade de dificil execução - todos os trabalhadores não possuíam sequer um Equipamento de Proteção Indiviadual (EPI), como óculos, mangote, luvas ou bolivas. Além disso, todos foram encontrados pela equipe do Grupo Móvel sem chinelos.
    Os fiscais relataram que as condições de higiene eram precárias, pois não havia banheiro, o que também comprometia a segurança em relação à alimentação dos trabalhadores. Como a empresa não disponibiliza água para que pudessem beber no canavial, os trabalhadores acabavam armazenando-a em garrafas PET que, por sua vez, eram enroladas numa estopa, para proteção do calor. Muitos dos trabalhadores também colocavam a água em gargalos de óleo diesel, por exemplo.

    Como a usina também não fornecia refeição, os trabalhadores acabam se alimentando de pão, por ser mais resistente ao calor. “Os trabalhadores foram encontrados comendo com as mãos sujas. Havia uma total insegurança alimentar tanto em relação ao alimento elaborado por eles quanto no meio utilizado”, relata a auditora Jacqueline Corrijo, coordenadora da ação.

    Os resgatados não pernoitavam no local, pois eram moradores de municipios ou vilarejos próximos a Paracuru . Os que moravam perto iam ao trabalho de bicleta ou até mesmo a pé. Os demais, eram transportados em cima da boléia do caminhão, junto com as ferramentas utilizadas no corte da cana. “De acordo com a legislação, o transporte tem que ser feito por ônibus, com um local separado para as ferramentas”, explicou Jacqueline.

    Todos os trabalhadores foram encontrados sem registro em carteira, já que a empresa pagava por semana, de acordo com a produção, que era iniciada às 5h e ia até ás 13h, por conta do calor.

    Indústria - No parque industrial, dos 86 trabalhadores, apenas três tinham registro em carteira. A situação encontrada pelos fiscais também foi alarmante, já que a empresa tinha uma estrutura metálica bem enferrujada e apresentava pontos de alto risco, com falta de proteção nas máquinas. Em relação às condições de higiene, os fiscais relataram a falta de banheiro.

    Embora o parque industrial disponibilizasse refeitório apenas para quem trabalhasse no local, muitos dos trabalhadores não tinham condições de se dirigir ao mesmo por conta da distância, o que fazia com que lanchassem próximos às máquinas.

    Autos - De acordo com os fiscais, foram lavrados 111 autos de infração e 3 termos de interdição, com vários itens mencionados de grave riscos. A empresa também foi autuada pelo descumprimento das normas de segurança no parque industrial, o que determinou a existência de trabalho degradante na planta. O valor das verbas rescisórias chegou a R$ 245.193,50. Aos trabalhadores, foi expedido o seguro-desemprego.

    Por conta de a empresa ter se recusado a pagar as verbas rescisórias, o Ministério Público de Trabalho (MPT) e a Procuradoria Regional (PR) deverão tomar as respectivas medidas judiciais cabíveis”.

    __________

    Para entender a crise americana

    Você está entendendo bulhufas da tal crise dos states? Então os seus problemas acabaram. Basta para isso ler a explicação abaixo. Com ela, a explicação, você passa a ser expert no assunto. Repara só como ficou fácil:

    O seu Biu tem um bar, na Vila Cazumba, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

    Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

    O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

    Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

    Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

    Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

    Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Cazumba não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu. 

    Feito bumbum de bebê

    Quem assitiu ontem ao debate dos candidatos a prefeito de Fortaleza na TV Diário pôde ter uma pista do porquê de a prefeita Luizianne Lins (PT) ter desaparecido na semana passada dos compromissos de campanha.

    Ela está com a pele lisinha que é uma belezura.

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    Nem tudo é direito

    Hoje de manhã, alunos de Direito da FIC interromperam com dois carros o trânsito na Rua Visconde de Mauá, na Aldeota. Estavam protestando contra um aumento no preço das mensalidades. Arrumaram até um carro de som da CUT para serem ouvidos melhor.

    Não apareceu nenhum guarda da AMC para dizer que aquilo não era direito.

  • 1 Comentário
  • Escrito em: Trânsito
  • O prefeito tá fazendo um sonzão

    Recebi e-mail da assessoria de Imprensa do município de Horizonte avisando que amanhã é aniversário do prefeito Chico César.

    Não sei porque mandaram essa informação para mim, já que dados relevantíssimos - tipo o local e a hora da festa, se haverá bolo e aqueles salgadinhos frios, pula-pula, mágico, turma da Xuxa e outros quesitos necessários e indispensáveis para efemérides importantes assim - ficaram de fora, mas taí o registro.

    E dizia o e-mail havia uma foto do dito cujo em anexo. Mas não consegui abrir o arquivo. Sendo assim, segue o primeiro Chico César que achei no Google:

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    Mão de obra jogada fora

    Post que trago do bom e velho Blog do Roberto Maciel - o meu, é claro:

    “Boletim da campanha da prefeita Luizianne Lins (PT) diz que mais de 3 mil mulheres deram, ontem, um abraço simbólico no Hospital da Mulher - aquela obra que uns dizem que existe e outros dizem que é só blablablá eleitoral.

    Sim, 3 mil mulheres.

    Agora, imagine se, em vez de ter dado um abraço inócuo e eleitoreiro, cada uma tivesse posto um tijolo no lugar, misturado cimento, instalado uns fios, feito reboco, dados boas demãos de tinta?

    A inauguração já poderia ser amanhã, né não?”

    Submundo eleitoral

    Às vezes, a gente fica pensando cá com nossos botões sobre eleição com ética, democracia etc e tal e nem imagina o que acontece no “submundo eleitoral”.

    Na madrugada da última sexta-feira, eu tive a oportunidade de conhecer um pouco mais desse submundo. O senhor Ronaldo Couto, médico e major da PM, é vereador em Juazeiro do Norte e candidato à releição pelo DEM. A mulher dele, Mira Sampaio, também é candidata a vereadora, só que pelo PP. Ambos foram flagrados pela Polícia Federal distribuindo cestas básicas em troca de voto. Muitas delas já tinham sido distribuídas, outras 131 estavam prontinhas para distribuição. E havia muito mais produtos estocados para a “produção” de novas cestas. Segundo estimativas iniciais da PF, o que estava estocado na chácara do casal dava para mais de 500 cestas. Dentro delas, material de campanha: dele, da mulher dele e do candidato a prefeito de Juazeiro pelo PSDB, Manoel Salviano.

    Eis que Ronaldo Couto chega no meio do grupo de pessoas formado à frente da chácara para evitar que fossem retirados os produtos e as cestas. E, na maior cara de pau, ele vai logo afirmando:

    - Eu faço. Toda eleição eu faço. E vou responder na Justiça por isso.

    Só não esperava que a declaração estivesse sendo gravada, tanto pelas câmeras de TV como pelos gravadores.

    Ao depor na Justiça, o discurso foi outro. Disse que todo ano faz essa distribuição e que o material de campanha foi “plantado” pelo militantes do PT.

    Na PF, o que causou surpresa foi a qualidade dos produtos. “Tudo de primeira”, conforme disse um dos rapazes que ajudava a retirar as mercadorias dos carros colocados à disposição pela Justiça Eleitoral. E ainda houve gente que criticasse a apreensão das cestas, alegando que elas fariam muita falta na mesa dos seus destinatários.

    Abaixo, algumas fotos do que foi recolhido pelos agentes da PF. E o homem careca é o Ronaldo Couto, quando chegava ao TRE.

    Saramago, o cagado

    De José Saramago tenho uma lembrança muito engraçada - até hoje rio.

    Lá pelos idos de 1998, num caderno sobre literatura & afins que o jornal O Povo publicava, o Walter Coe, jornalista de melhor cepa, arguto e de texto inatacável, escreveu sobre a surpresa que tinha sido a escolha do escritor português como Prêmio Nobel de Literatura naquele ano.

    É claro que não lembro ipsis litteris o que o Walter pôs, mas era mais ou menos o seguinte:

    “Todo mundo pensava que fulano ou beltrano levaria o Nobel, mas veio Saramago, o cagado, e ficou com o prêmio”.

    Sim, Waltim escreveu “Saramago, o cagado”. Lira Neto, ombudsman naqueles dias, espumou, me lembro bem.

    Pois é, Saramago, o cagado, agora é blogueiro. Assim como eu e o Luiz Carlos, o Roberto Jefferson, o ex-governador Lúcio Alcântara e o Leonardo Fontes. E o Nonato Albuquerque, o Eliomar de Lima, a Maísa Vasconcelos, o Maurição e o Emílio Moreno. E o Kenji, o Fernando Bresslau, a Bruna Surfistinha. A diferença é que nenhum de nós tem o Nobel. Nem é cagado.

    Trago para vocês, pois, um texto que pincei do blog dele. O cara escreve bem mesmo, sabia?

    “Podemos dormir descansados, o aquecimento global não existe, é um invento malicioso dos ecologistas na linha estratégica da sua “ideologia em deriva totalitária”, consoante a definiu o implacável observador da política planetária e dos fenómenos do universo que é José María Aznar. Não saberíamos como viver sem este homem. Não importa que qualquer dia comecem a nascer flores no Árctico, não importa que os glaciares da Patagónia se reduzam de cada vez que alguém suspira fazendo aumentar a temperatura ambiente uma milionésima de grau, não importa que a Gronelândia tenha perdido uma parte importante do seu território, não importa a seca, não importam as inundações que tudo arrasam e tantas vidas levam consigo, não importa a igualização cada vez mais evidente das estações do ano, nada disto importa se o emérito sábio José María vem negar a existência do aquecimento global, baseando-se nas peregrinas páginas de um livro do presidente checo Vaclav Klaus que o próprio Aznar, em uma bonita atitude de solidariedade científica e institucional, apresentará em breve. Já o estamos a ouvir. No entanto, uma dúvida muito séria nos atormenta e que é altura de expender à consideração do leitor. Onde estará a origem, o manancial, a fonte desta sistemática atitude negacionista? Terá resultado de um ovo dialéctico deposto por Aznar no útero do Partido Popular quando foi seu amo e senhor? Quando Rajoy, com aquela composta seriedade que o caracteriza, nos informou de que um seu primo catedrático, parece que de física, lhe havia dito que isso do aquecimento climático era uma treta, tão ousada afirmação foi apenas o fruto de uma imaginação celta sobreaquecida que não havia sabido compreender o que lhe estava a ser explicado, ou, para tornar ao ovo dialéctico, é isso uma doutrina, uma regra, um princípio exarado em letra pequena na cartilha do Partido Popular, caso em que, se Rajoy teria sido somente o repetidor infeliz da palavra do primo catedrático, já o oráculo em que o seu ex-chefe se transformou não quis perder a oportunidade de marcar uma vez mais a pauta ao gentio ignaro?

    Não me resta muito mais espaço, mas talvez ainda caiba nele um breve apelo ao senso comum. Sendo certo que o planeta em que vivemos já passou por seis ou ou sete eras glaciais, não estaremos nós no limiar de outra dessas eras? Não será que a coincidência entre tal possibilidade e as contínuas acções operadas pelo ser humano contra o meio ambiente se parece muito àqueles casos, tão comuns, em que uma doença esconde outra doença? Pensem nisto, por favor. Na próxima era glacial, ou nesta que já está principiando, o gelo cobrirá Paris. Tranquilizemo-nos, não será para amanhã. Mas temos, pelo menos, um dever para hoje: não ajudemos a era glacial que aí vem. E, recordem, Aznar é um mero episódio. Não se assustem”.

    Se você quiser ler mais, clique aqui.
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