22 Abr 2008 19:54
Diferentemente do Luiz Carlos, no post Remorso e medo de prisão, não me arrisquei ainda a dar palpite no caso da menina Isabella Nardoni. Tenho motivo: não vejo elemento que possa ser conclusivo para indicar o autor ou os autores do crime.
“Tá maluco!”, alguém aí deve estar me sentenciando. E até me chamando de alienado: “Não tá vendo que todo mundo já sabe que foram o pai e a mulher, aqueles monstros? Não tá ouvindo as conversas em todo canto? Não tá assistindo à TV todo dia? A Sônia Abraão, o Datena, o Geraldo, o Marcelo Resende, a Globo? Não sabe que o vereador Auri Nogueira disse na Câmara Municipal de Fortaleza que o pai e a mulher empurraram a Isabela do edifício? Não viu que pessoas até já tentaram invadir a casa dos pais do cara e linchar os dois assassinos?”
Estou, estou vendo e ouvindo isso tudo. E é “isso tudo” o que me preocupa. Estão tratando o caso, na maior sem-cerimônia, como um espetáculo. Um Big Brother com requintes de crueldade, no qual o corpo de uma menininha de cinco anos jaz como um troféu na luta pela audiência. O que está sendo dito está, queiramos ou não, moldando nossa apreciação.
Estou vendo também que a cobertura das TVs põe, por exemplo, uma câmara diante do prédio onde o casal está abrigado e, quando aparece a sombra de alguém, mandam ver um link ao vivo - geralmente o repórter não tem nada a dizer, mas cumpre sempre aquela promessa feita pelo apresentador: “Mais notícias nesta edição”.
Estou vendo também duas pessoas visivelmente abaladas, intimidadas, sob pressão intensa, com a moral em frangalhos e, por isso, aparentemente incapazes de coordenar idéias e mesmo de falar sem titubear - o que, para alguns, é sinal de que estão mentindo quando alegam inocência. Dá para convencer alguém de alguma coisa se você está com suas emoções destroçadas?
Estou vendo também uma polícia que faz coisas erradas uma atrás da outra - se eu fosse leviano diria que deliberadamente para esconder a incompetência, tamanha a necessidade de apresentar culpados à opinião pública. Já vimos isso várias vezes, como no episódio da Escola Base, em São Paulo, ou do “pai monstro que matou o filho a pancadas”, aqui em Fortaleza. Provou-se que houve açodamento dos policiais. E aí, como os acusados ficaram? Respondo: tiveram as vidas destruídas.
Como pôde a Polícia, por exemplo, não isolar a cena do crime? permitir que pessoas estranhas à investigação entrassem no apartamento e até retirassem objetos de lá, como fez o avô paterno e a tia da Isabela? dizer que não havia sangue no carro e depois informar que havia e que era da menina? manter a apuração numa delegacia distrital, quando deveria tê-la transferida para a especializada em homicídios, já que não havia conclusão sobre a autoria do delito? ter de fazer sete perícias no local do ocorrido, até alterando o ambiente, quando, numa situação de competência, duas já seriam demais?
Ora, basta ver Law & Order ou CSI New York para saber que isso não se faz. Eu vejo. Se a Polícia de São Paulo não vê, recomendo que veja. Lá é ficção, mas ensinam um monte de coisas.
Repare bem: Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá podem ser, sim, os culpados. Podem ter matado a Isabela e, por conseqüência, a nossa crença na bondade humana. Mas ainda não foram julgados, não foram submetidos ainda ao que dita a lei. E que fique claro, antes que apareça alguém me esculhambando: não estou nem de longe tentando inocentá-los.
No entanto, eles estão sendo condenados, mas julgados ainda não foram.
13 respostas for "Explico porque estou de fora"
VC ACHA MESMO QUE ALGUÉM TE CHAMARIA DE MALUCO POR ESSES MOTIVOS ABAIXO ? POXA AMIGO, VC SÓ FEZ PERGUNTAS FRACAS. QUALQUER UM TENTARIA TE CONVENCER COM ARGUMENTOS MAIS FORTES, QUE VC SABE BEM QUAIS SÃO.
“Tá maluco!”, alguém aí deve estar me sentenciando. E até me chamando de alienado: “Não tá vendo que todo mundo já sabe que foram o pai e a mulher, aqueles monstros? Não tá ouvindo as conversas em todo canto? Não tá assistindo à TV todo dia? A Sônia Abraão, o Datena, o Geraldo, o Marcelo Resende, a Globo? Não sabe que o vereador Auri Nogueira disse na Câmara Municipal de Fortaleza que o pai e a mulher empurraram a Isabela do edifício? Não viu que pessoas até já tentaram invadir a casa dos pais do cara e linchar os dois assassinos?”
Por exemplo, perguntas que vc deveria ter escrito no seu post:
1. Marcas da tela na camisa que Alexandre usava (aí vc diz: “não existe só uma camisa do mesmo modelo da dele ou, que esses vestígios foram exatamente na hora em que o pai foi ver Isabela lá embaixo…);
2. Sangue de Isabela no carro, na cadeirinha do irmão, no hall do prédio, etc. (aí vc me diz: “não era sangue, era catchup…);
3. Marcas do chinelo de Alexandre pelas duas camas… (aí vc me diz: “não existe só um chinelo do mesmo modelo do dele ou, que esses vestígios foram exatamente na hora em que o pai foi ver Isabela lá embaixo…);
Concordo plenamente com o Roberto. Há os indícios, mas só pode haver condenação depois do julgamento. Sinceramente, torço para que se prove que não foram eles, ou terá sido demasiada crueldade com pobre Isabela.
Finalmente achei alguem que pensa como eu…
Já tô de saco cheio de todo mundo se achar investigador e perito criminalista e se apressar em condenar esses dois.
Assim como o Roberto admito a possibilidade de terem sido eles, mas não afirmo com certeza que foram.
A policia parece que realmente fez um trabalho meio porco, e as provas até agora, ao meu ver, se vistas sozinhas, são inconclusivas (sim a marca na camisa dele pode ter sido na hora que foi olhar pra baixo e sim as marcas de chinelo podem ter sido no mesmo momento).
Enfim, ainda acho cedo pra se condenar alguem..
Para variar, virou uma questão de torcida. E se você não torce para um lado ou outro, vc só quer ser “político”. Eu também tô foro, tenho muito mais perguntas do que respostas.
Explico porque estou de fora | Sobretudo…
Diferentemente do Luiz Carlos, no post Remorso e medo de prisão, não me arrisquei ainda a dar palpite no caso da menina Isabella Nardoni. Tenho motivo: não vejo elemento que possa ser conclusivo para indicar o autor ou os autores do crime….
A inguinorança é infinita, dizia Ainistáin. E Roberto está certo.
“Ora, basta ver Law & Order ou CSI New York para saber que isso não se faz. Eu vejo. Se a Polícia de São Paulo não vê, recomendo que veja. Lá é ficção, mas ensinam um monte de coisas.”
RSRSRS, KAKAKA - NESSE MESMO HORÁRIO TÁ PASSANDO OS SIMPSONS NA FOX.
Concordo com os M’s acima.
Ninguém esclarecido, leitor desse blogue por exemplo, sentenciaria alguém pelo fato do vereador Auri Nogueira dizer na Câmara Municipal de Fortaleza que o pai e a mulher empurraram a Isabela do edifício, ou ainda pelo fato de apresentadores falarem tanta besteira.
São todas acusações sem sentido.
Acusação com sentido realmente seria dizer que a polícia errou ao deixar o pai entrar no ap, porém o pai seria a última pessoa que plantaria provas contra o casal, pois como sabemos ele está do lado do filho.
coisa de torcida ? opa, vamos quebrar o pau.
sem política nem nada. Me esperem na tibúrcio cavalcante com eng. santa jr, estaremos lá por volta das 19:00 para confronto. Desde já agradeço pelo seu não comparecimento.
Me diz uma coisa ROBERTO, como vc sabe o que o DATENA, SÔNIA E CIA estão dizendo??? ah, já sei, vc assiste. Pois bem, deve ser pelo fato de vc assistir a esses programas a sua opinião abaixo:
“Estou vendo também uma polícia que faz coisas erradas uma atrás da outra ”
Roberto, primeiro procura saber a versão da polícia, pq as vezes é boato de programa desse tipo que vc assiste.
Concordo com Neudson… Acho muuuuito cedo pra se condenar alguém. Quem sabe daqui a uns 20 anos. Afinal a garota já está morta mesmo.
Concordo com o Luiz Carlos:
“porque os dois não tiveram argumentos que confrontassem os resultados dos laudos periciais, principalmente no que se refere à constatação da presença de sangue de Isabella no carro deles, numa toalha, numa fralda, na chinela de Alexandre, no sapato de Anna Carolina, no hall do prédio London e nas dependências do apartamento. Ou seja, é muito sangue de uma mesma criança para que nenhum dos dois tenha pelo menos uma ligeira idéia de como ele tenha ido parar em tantos locais diferentes e, o que é pior, tão próximos deles dois.”
Deixe seu comentário