Para o post Que desgraça!, aqui publicado quinta-feira passada, recebemos alguns ilustres comentários. Um me chamou especial atenção. Irei a ele, mas antes reproduzo as três linhazinhas que escrevi:

“Da série ‘Feliz 2008, tucanos e demos’. Deu o G1: ‘Desemprego termina 2007 com a menor taxa da série histórica do IBGE’.
E agora, Reinaldo Azevedo? E agora, Diogo Mainardi?”

Vamos agora ao comentário que me espantou, assinado pelo leitor Daniel Jorge:

“Só um detalhe foi esquecido: o que o Lula está colhendo hoje, foi plantado no governo anterior… Pelo menos uma coisa tem que funcionar, num governo envolto de falcatruas e corrupção, e que mesmo assim o povo, iludido, abraça como ‘o melhor’… feliz 2008 pra vc, ‘companheiro’”.

Não conheço o Daniel, não sei se ele é tucano ou demo. Não sei nem se o nome com o qual se apresenta é mesmo verdadeiro. Mas identifico muito bem esse tipo de discurso. E é um discurso cretino, por cujo intermédio tenta-se impingir a pecha de “companheiro” a quem faz uma observação inconveniente. E a minha observação é mesmo inconveniente.

Se o Daniel sabe quem sou, certamente sabe também que não sou petista, muito menos lulista - sim, existe uma diferença abissal entre os dois termos. Mas o comentário dele sugere o contrário, como se o ato de constatar uma realidade adversa aos interesses do PSDB e do DEM me espetasse automaticamente uma estrelinha na blusa.

Vale perguntar:

1) Até quando tucanos e demos continuarão achando que o que fizeram de positivo - e fizeram alguma coisa, sim, reconheço - norteia a gestão atual?

2) Até quando tucanos e demos tentarão nos impor a noção enviesada de que fizeram um governo honesto na era FHC?

3) Até quando tucanos e demos farão de conta que as privatizações foram negociações limpas?

4) Até quando tucanos e demos negarão que Marcos Valério, auxiliar eficiente de Eduardo Azeredo, é sua criatura?

Há mais perguntas? Há, é claro. Faça-as você mesmo.