Metade dos meus conhecidos acha que toco gaita. A outra metade sabe que não toco gaita.

Tirando a minha teimosia em um dia parar de assoprar com um certo jeito e tentar aprender de vez esse fantástico instrumento cujo embrião surgiu há 5 mil anos na China, com o nome de Voz Sublime, e que desembarcou na Europa no século 19, sendo aprimorado por um alemão, vou contar uma historinha:

Em 2003, acho que ainda como curador do Festival Jazz & Blues de Guaramiranga, sugeri às meninas da Via de Comunicação que trouxessem um francês chamado Jean Jacques Milteau. O cara não era só referência minha. Não mesmo. Um monte de sujeitos dos Estados Unidos, onde a gaita virou sinônimo de blues e de country music, o tem como modelo de instrumentista. Do Brasil, então, nem se fala.

Mandei e-mail pro Milteau, avisei pra Maru e pra Rachel, recebi resposta dele, repassei para elas e, naquele momento, comecei a construir uma ponte entre a serra e os Campos Elíseos. Ano após ano, lembrei a Via sobre Milteau. E as meninas lá, mourejando.

Pois essa ponte finalmente teve o último tijolo posto. Milteau vem - quem está acompanhando o material publicado na imprensa, já sabe.

E para quem ainda não conhece J.J. Milteau, uma palhinha: