Seguinte: informei outro dia desses que mudei de operadora de celular, assim com, antes, falei da opção da minha amiga Márcia Xavier, lá em Brasília, de não ter mais telefone móvel. Isso bastou para, ao longo de alguns dias, receber um monte de imprecações - não contra mim, mas contra essas empresas e o tratamento que dão ao cliente. Como umas continham impublicáveis considerações, achei por bem não acatá-las como comentários. Mas a que segue abaixo é diferente. Foi-me enviada por um amigo dono de uma consultoria. Traça um retrato bem nítido dos cururus que o consumidor tem de engolir devido à falta de transparência, ao descaso e à má-fé.

Reproduzo-a para vocês, leitores do Sobretudo, fazerem suas avaliações. Mas aviso que optei, para não expor meu amigo a mais chateações, por ocultar o nome da empresa dele. O da operadora eu deixo. É a Tim.

“Fortaleza, 25 de outubro de 2007

Recebi uma carta de cobrança indevida da TIM, pedindo regularização da situação até 29/09/2007. Ocorreu que a carta, datada de 25/09/2007, só chegou na XXXXXXXX em 11/10/2007, cobrando pagamento com vencimento em 20/08/2007 no valor de R$ 1.431,02.

No dia 20/08/2007, que é a data de vencimento de nossa fatura mensal, pagamos a conta em referência só que no valor de R$ 1.456,80, divergindo (a maior, inclusive) do valor cobrado na citada correspondência daquela Operadora.

No mesmo dia em que recebi a carta, liguei para TIM e informei que a conta de agosto estava paga, portanto, em dia. Pediram-me que mandasse um fax com a cópia da conta autenticada pelo Banco. Fiz o envio junto a uma cartinha explicando no mesmo dia 11/10. Para minha surpresa, no dia 17/10/2007, bloquearam nossas linhas sem nenhuma comunicação. Liguei novamente e disseram que não sabiam do fax, que o reenviasse e que teríamos de aguardar 05 (cinco) úteis para verificação. Como não poderíamos, obviamente, aguardar por um tempo tão longo, ainda mais por erro deles, recorri a Ouvidoria da citada empresa que nos atendeu prontamente. No entanto, mesmo nos prometendo o desbloqueio das linhas, em no máximo,duas horas, só linhas voltaram a funcionar no dia seguinte do contato que fiz, e mais: só noite, já fora do expediente. Causando grandes prejuízos já que se trata de uma linha comercial. Causando profundo mal estar, acentuadamente junto aos clientes, fornecedores e imprensa, sendo este último um dos nossos principais públicos de atuação.

Problema idêntico com essa mesma operadora ocorreu em julho deste ano. Desta vez, gerado por números de telefones constantes de nossa fatura, mas que não eram da XXXXXXXX. Ao receber a referida fatura, fiz a pronta reclamação e no ínterim bloquearam as nossas linhas. Como poderíamos pagar uma conta que não era nossa? Como o pagamento havia ficado suspenso, nossas linhas foram bloqueadas também de forma abrupta e unilateral. Sem qualquer consideração para com o consumidor. Depois de um intenso trabalho, afinal a TIM reconheceu seu erro e a fatura de cobrança que era de R$ 4.984,75 ficou reduzida para R$ 2.468,51.

Ou seja, a operadora em referência causou (de forma reincidente) enormes prejuízos a empresa de ordem moral e comercial e econômica (pois demandou muito tempo do nosso pessoal para regularizar a situação). Por essa razão entramos, esta semana, com uma reclamação junto a Anatel e um processo no Procon.

E é porque somos considerados ‘clientes especiais’… Imagina-se como devem estar sendo tratados os demais clientes…”

Agora, volto eu: deve-se observar que casos assim não são restritos à Tim, assim como não são restritos à telefonia móvel. Estão espalhados por todos os setores da economia. É o dito “mercado”, que estabelece suas próprias regras - e cuida ele mesmo de desobedecê-las - diante de frouxidão do Poder Público e da conseqüente vulnerabilidade do freguês.

E olha que existe neste País uma lei chamada Código de Defesa do Consumidor. Imagine se não houvesse.