Sobretudo

Para refletir e opinar

Com Luiz Carlos de Carvalho e Roberto Maciel

Arquivos para Fevereiro, 2007

Tá maus

Li na Época desta semana que o sociólogo Hermano Vianna, irmão do guitarrista - jamais cantor - Herbert Vianna, considera a atriz Regina Casé um “símbolo sexual”.

Depois dizem que jornalista é que é doido.

Merecia um prêmio Colunistas (reeditado)

Dia desses eu estava assistindo ao Must, programa da TV Diário… (antes de continuar, uma palavrinhas em minha defesa: não me compreenda mal, por favor, é que tenho mania de zapear canais de televisão e, passando pelo Must, de vez em quando vejo pessoas que conheço. Aí paro. Pois foi o que aconteceu)… e tava lá, sendo entrevistado, o publicitário Orlando Mota.

E o Orlando disse uma ótima, após se inquirido, aos gritos, pelo apresentador, Walney Haidar (nem me lembro que pergunta foi, se é que foi feita uma pergunta): “O que me surpreende, Haidar, é essa sua enorme capacidade de elogiar”.

Tivesse um, unzinho neurônio a mais, Haidar teria entendido aquilo como ironia azeda que só. Uma maldade, eu diria. Mas sorriu um sorriso de orelha a orelha, despejou torrentes de agradecimentos aos patrocinadores - “parceiros”, como ele chama - e continuou a gritar.

O sol não nasce para todos (reeditado)

O sol não nasceu para todos

O PSOL pulou fora do barco da prefeita Luizianne Lins. Não sem antes, numa deliberação confusa, despachar um torrente de imprecações e acusações conta o PT.

Acho que o PSOL está diante agora de dois caminhos:

1) Aprende que a esquerda é um conceito em avanço e que o pensamento das correntes progressistas se vincula a novos cenários políticos. Os anos 1960 e 1970, como se nota, já passaram;

2) Vai ficar no rame-rame da professora Heloísa Helena a vida toda.

Vá entender

Voltei. Agora do meu computador. Não sei o que deu, mas depois de futricar ali e acolá, consegui fazer o bicho pegar novamente. No arranco. Deus é que sabe como.

Isso é só um teste.

Vim só dizer que hoje eu não venho

Não me perguntem o porquê, mas não estou conseguindo postar do meu computador. Devo ter feito alguma merda na configuração do blog e o computador (máquina inteligente? há, há!!) gravou e não me dá acesso.

Tentei ajeitar, tirei os dois últimos posts e nada. Problema dele, então.

Estou usando agora o computador do Pedro para dizer o seguinte: o blog vai voltar, mesmo contra a vontade do meu maldito notebook. Eu vou voltar, como dizia o coronel Adauto Bezerra na campanha para governador de 1985. Mas volto mesmo.

E devo adiantar que o blog sofrerá (sofrerá é péssimo!) alterações. Vai ficar mais bacana. E vai trazer colaboradores.

Quando estiver no ar outra vez, aviso a todos.

De difamações e da história

reinaldo_azevedo.jpgDo turbilhão de coisas escritas sobre o caso João Hélio, pinço esse trecho do Reinaldo Azevedo, meu anti-ídolo, escrito para abrir uma série de imprecações e ofensas contra a ministra Ellen Gracie, do STF: 

“A coitada da Maria Antonieta nunca sugeriu que os pobres comessem brioches já que não tinham pão. Ela só estava sendo vítima do, como chamarei?, petismo avant la lettre. Os caras vivem disso. A difamação ainda é a mais poderosa arma da esquerda. Atribui-se, por exemplo, a FHC o famoso ‘esqueçam o que escrevi’, jamais pronunciado. Até porque não haveria razão: sua obra escrita é coerente com sua obra vivida. Quem lhe atribuiu a frase nunca dita não leu seus livros”.

Concordo com uma coisa: a esquerda difama mesmo. E faz isso sem se dar conta. A direita também. A história confirma. É lance da política, não tem jeito. Hitler difamou os judeus até não poder mais. Reinaldo Azevedo difama um monte de gente do mesmíssimo jeito. Diogo Mainardi, idem. Paulo Francis o fazia sem compostura nenhuma.

Mas discordo de outra: FHC disse mesmo o célebre “esqueçam o que escrevi”, sim. Saiu no Estadão e na Folha. Eu mesmo li nos dois. E o Estadão e a Folha, os senhores sabem, não têm nadica de nada de esquerda. E, se duvidarem, ainda saiu na Veja.

Aliás, assim como disse o “esqueçam o que escrevi”, FHC garantiu também que tinha “um pezinho na cozinha”.

Pau e pedra

A propósito da morte de João Hélio: lá no Rio, no Maracanã, jogadores e torcedores de Flamengo e Botafogo, times que se enfrentaram doming passado, fizeram um côro por justiça.

Aqui em Fortaleza, depois do jogo Ceará x Fortaleza, torcedores se pegaram de porrada. E de pau e pedra. E destruiram 57 ônibus.

É ruim, hein?

Uma crise anunciada

Da torrente de informações que a imprensa veiculou a respeito do assassinato do menino João Hélio, no Rio, a palavra mais adequada que ouvi para definir os desdobramentos do crime foi dita pelo repórter da Globo Júlio Mosquéra: “crise”.

Crises, em que pesem as circunstâncias delicadas que sempre as perseguem (nesse caso, o mais do que doloroso e inimaginável drama por que passam os pais e demais parentes do João Hélio), às vezes têm o condão de sacolejar a sociedade e seus representantes no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário. Seja por comoção ou consciência política. Essa era anunciada. O desordenamento humano, a perda de valores, a galopante violência indicavam isso.

Espera-se que essa crise, por mais brutal que se configure, sirva para alguma coisa.

Deu zebra

Da série “Nossos políticos sensacionais e suas marmotas indescritíveis”. Recém-eleito pelo PFL e recém-transferido para o PMDB (ou seja, nem chegou a esquentar a cadeira que lhe cabe na Assembléia como pefelista), o deputado estadual Edson Silva faz propaganda da contravenção penal em seu programa de TV mundo cão, o “Cidade 190″. Nesse programa, Edson dispara lições de moral e de justiça por tudo quanto é lado, investindo também em doses cavalares da exploração da miséria humana e de cenas sangrentas. E se elegeu assim.

O cliente é o banco de jogo-do-bicho Paratodos.

Gracinha mesmo seria se Edson Silva dissesse que não sabia que contravenção é um ato ilícito.

A reedição do Febeapá?

Deu no G1 (www.g1.com.br):“Na primeira semana da nova legislatura, deram entrada na Secretaria-Geral da Mesa da Câmara 90 projetos apresentados por deputados que tomaram posse no último dia 1º e por suplentes que assumiram durante o recesso.

No entanto, como na legislatura passada, algumas das propostas chegam a ser curiosas e dificilmente devem ser aprovadas pela Câmara. Há desde projetos que dispõem sobre o porte de arma para políticos, advogados e magistrados aos que institui o ’Dia Nacional do Frevo’ e confere a Imbituba (SC) o título de ‘capital nacional da baleia franca’.”

Tem mais. Veja lá.

Fé demais

Tá com pena do apóstolo Estevam Hernandez e da bispa Sônia, que foram bater no xilindró?

Tá com pena dos milhares de patetas que davam dinheiro para o apóstolo e bispa e que agora, depois que eles estão vendo o sol nascer quadrado, acham que ficaram meio órfãos?

Seus problemas acabaram!

Tem na Internet um curso completo para ser pastor. E nem é das Organizações Tabajara, o que é mais bacana.

O site é www.cursodepastor.com.br. Há diferentes disciplinas, com preços variáveis. A mais engraçada, e mais cara também, é de Doutorado em Divindade. Custa 1.800 paus (pensando bem, tá no preço: R$ 1.800 pra ser doutor em Divindade, seja lá o que isso for, é até barato). Mas tem outras que são a maior micharia. A de Constituição Brasileira, por exemplo. Só 100 contos. Será que é alguma coincidência a da Constituição valer tão pouco?

De mais a mais, curso assim é ideal para o ministro Gil - se ele ainda estiver querendo falar com Deus, é claro.

Ivete? Sou mais a do Chevette

Luiz Carlos de Carvalho entrou aqui (ops!) e deixou, no post anterior, o seguinte comentário:

“Ivete Sangalo triste figura?! Será o Roberto Maciel o redator deste blog mesmo?! Não será um clone?! “

Pois é, sou eu. E acho, sim, que Ivete Sangalo é uma triste figura, embora continue ressaltando aquelas pernas bem torneadas.

Mas voltando: considero-a triste figura porque ela é só um produto comercial de gravadora que deu certo. Há milhares de ivetes por aí, nos barzinhos, querendo se dar bem. Umas, como a Cláudia Leitte, do Babado Novo - igualmente triste figura, mas muito mais bonita e gostosa - deu certo. Entendam o “deu” como quiserem. Ivete é, mal comparando um Leonardo de saia. Ou um Daniel de cabelo comprido (acho até que o Daniel queria ter as pernas bem torneadas da Ivete). Quase um Roberto Carlos bem apanhado. A propósito do RC, tenho um amigo, o Cordeiro, que diz que ele não passa de um cantorzinho de churrascaria. Apesar de o Cordeiro concordar comigo quanto à Ivete, essa é outra história.

Os anais (ops de novo!!) da música brasileira têm caminhões abarrotados de ivetes. E de bananas. E de chicletes.

Ivete Sangalo não representa nada de nada. Tem quem se divirta com ela? Tem. Eu mesmo fui vê-la numa boca livre monumental do Pão de Açúcar, no Aterro da Praia de Iracema, o Pão Music, e me diverti a valer, como me divirto vendo o Ceará apanhar do Fortaleza, ou vice-versa. Mas não gosto dela, dá para entender?

Tem quem goste? Tem. Ótimo. É bom que comprem os discos dela, vão aos shows, vejam os filmes e, se ela souber escrever (ou não, tanto faz), comprem o livro que um dia a indústria que a mantém e se mantém por causa dela lançará. Isso sustenta um monte de famílias. Dá de comer a operadores de som, de luz, montadores de palco, roadies, músicos, vendedores de composições, lojistas, balconistas de lojas de discos, caixas de supermercados, camelôs que vendem discos piratas, funcionários do Bradesco, da Globo, do Garnier Frutisse, da sandália não-sei-que-nome, da Schincariol, da Belíssima, do Fortal, do Festival Vida & Arte, do jornal O Povo, da revista Contigo, da Caras, do cacete a quatro. É bom para a economia, mas é péssimo para a cultura. 

Pra mim, Ivete mesmo só a do Genival Lacerda. Aquela, a do Chevette.

Coisas de Noel

Está dando motivo para conversê a história de Seu Jorge e Ivete Sangalo estarem sendo patrocinados - ele pela cachaça Sagatiba e ela pelo banco Bradesco - para tocar nas rádios jingles com cara de canções. Ou vice-versa, porque o estilo que ambos abraçaram é comercial até o tronco.

Li na revista Época desta semana o seguinte trecho: “Do ponto de vista da publicidade, as canções-jingles são uma inovação. Mas talvez fosse melhor investir em músicas mais bem-acabadas. Essas de Seu Jorge e Ivete são bem ruinzinhas - e podem até espantar a clientela”.noel.gif

Não são inovação coisa nenhuma. Na década de 1930, Noel Rosa escreveu um samba intitulado “João Ninguém”. Achou que dava pra fazer um merchandising de um cigarro da Souza Cruz, sucesso de vendas na época, e tascou os seguintes versos:

“João Ninguém
Não trabalha e é dos tais
Mas joga sem ter vintém
E fuma Liberty Ovais
Esse João nunca se expôs ao perigo
Nunca teve um inimigo
Nunca teve opinião”.

Achando que havia descoberto a pólvora, foi-se Noel, todo pimpão, bater às portas dos burocratas da Souza Cruz. Queria uma grana pela letra. Deram-lhe um puta não como resposta. 

Chateado, Noel voltou pra Vila Isabel - antes, deve ter parado no Ponto dos Mil Réis para tomar uma - e reescreveu a letra, que acabou sendo gravada (a original só foi resgatada por Tom Jobim nos anos 1980). Ficou assim:

“João Ninguém
Não trabalha um só minuto
E vive sem ter vintém
E anda a fumar charuto
Esse João nunca se expôs ao perigo
Nunca teve um inimigo
Nunca teve opinião”.

Três coisas a notar nesse(s) episódio(s): 1) o compositor liso, querendo se dar bem (hoje, abonado, mas ainda querendo se dar bem); 2) a proverbial falta de visão de quem manipula verbas publicitárias de grandes empresas (tanto naqueles tempos, quando rejeitaram o gênio de Noel Rosa, quanto hoje, quando fazem reverência à triste figura, mas de pernas bem torneadas, que é Ivete Sangalo); 3) a imprensa nunca sabe da história toda.

E uma observação necessária, fundamental, imprescindível e indispensável: não estou aqui, nem de longe, querendo comparar Seu Jorge e Ivete com Noel Rosa. Deus castiga, vocês sabem.

Coisa que ninguém faz no mundo

2006.jpgO Leonardo Kenji Shikida, sujeito bom lá de BH, pariu mais um CD do Gaita-L, a lista que discute gaita na Internet. Tá certo, tá certo, ele não pariu sozinho: teve um monte de gente que recheou o disco com música de qualidade, tem quem ajudasse com artes de capa e encarte, teve quem divulgasse. Mas sem o esforço e o desprendimento do Kenji tenho certeza de que seria preciso um fórceps aqui e acolá. Ele diz que não vai mais fazer as próximas edições. Pena. Mas tem gente aí empolgadíssima com a proposta e, aposto, vai pegar o leme o tocar o barco pra frente com iguais competência e dedicação.

No CD 2006 há 23 faixas, executadas por gente de todo o Brasil - o Diogo Farias, daqui de Fortaleza, tá no meio. A saber:

01) Manhã De Carnaval - Adriano Barata
02) Morning Has Broken - Aílton Rios
03) Vida A Dois - Andréa Furtini (Odilara)
04) O Trenzinho Do Caipira Vai Ao Mississippi - Bira Dantas
05) Everythings Gonna Be Alright - Carlos May and The Fast Jumpers
06) Azul Da Cor Do Mar - Carol Malheiros
07) Castelo Forte - Cláudio Cardoso
08) Negro Amor - Danilo Cunha (The Graus)
09) Meu Mar - Diogo Farias (Marcos Pessoa)
10) Blues Do Gato Vesgo - Diogo Suttili
11) Não Me Canso - Fernando Xavier (Ziul)
12) Waiting On Time - Fernando Bresslau
13) Chitlins Con Carne - Geison Max (DuBlues)
14) Halowa - Orquestra Paulista de Gaitas - Paulo Gravata - Maristevo Gouveia - Rubia Ramos - Benedito Atanazio - Clara Machado - Geraldo de Oliveira
15) Café Expresso - Jefferson Gonçalves
16) Bebum - Léo Gonçalves (V8)
17) Summertime - Leonardo Kenji
18) Eleanor Rigby – “Lucky� Luciano Baptista
19) Going Down Slow - Marianna Borssatto, Samir Chammas e Gustavo Andrade
20) Bananeira - Rodrigo Tostines
21) Smoke Gets In Your Eyes - Sidney Barreto
22) A Praça - Ulysses Cazallas (Harmonikings)
23) Summertime - Alex Dupas
O bom dos CDs do Gaita-L é que você pode baixá-los integralmente, e de grátis, na web. Os links são esses:

Vá lá, aproveite, lambuze-se de gaita neste carnaval que vem aí. Você vai gostar. Ou odiar - mas vai ficar sabendo que os gaitistas do Brasil fazem coisas que em lugar nenhum do planeta são feitas. Por gaitistas ou músicos de outros instrumentos.

Que zona!

Amanhã é o Dia Mundial das Zonas Úmidas.

Não leve para o buraco da maldade, por favor. É negócio de ecossistema.

Os deputados estaduais tomaram posse hoje. Foi um festival de esquisitices e de coisas que, fossem em outro ambiente que não o da Assembléia Legislativa do Ceará - que por natureza deve manter o siso -, seriam engraçadas. De dar dó.

Àquela fauna comum a espaços políticos, gente que orbita em torno de ocupantes de cargos públicos e que se divide entre os esportes de dar palminhas nas costas e de rir alto de piadas sem graça, juntaram-se crianças correndo para cima e para baixo, um deputado - Ely Aguiar - sacudindo a bandeira de seu município natal, o “Cratim de Açúcar”, e adolescentes metidos a contestadores de bonés coloridos.

Espero, com o coração cidadão, que essa empolgação e esse histrionismo se limitem ao primeiro dia. Desse jeito, até dá para aceitar.

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