cabedelo.jpgEstive em Natal e João Pessoa na semana passada. Senti-me, cearense bairrista que sou, meio rebaixado. Meio, não: muito. A estrutura turística que tem por lá, a limpeza das cidades, os preços razoáveis, tudo isso me fez perceber que o Ceará precisa caminhar muito em políticas públicas para conseguir chegar a um nível próximo deles. Sério. Rio Grande do Norte e Paraíba são estados mais pobres e menores, mas me parece que o setor de lá leva a coisa mais a sério do que o daqui - e isso inclui gestores públicos e privados, barraqueiros e donos de hotéis, bugueiros e empresários de transportes, do “a” ao “z”.

Outro segredo, que não é segredo pôrra nenhuma, é o aproveitamento adequado do que tem de bom. Por exemplo: em Cabedelo, na Paraíba, eles têm na beira do rio um pôr-do-sol que não é muito diferente do da Barra do Ceará. Bonito, como você pode supor. Pois inventaram de no fim da tarde tocar o Bolero de Ravel. E passam uns barquinhos com uns caras com saxofone, outros com violino, saudando o ocaso (esse da foto é o Jurandyr do Sax, cabra feio de dar dó). Os bares à margem desligam o som, as pessoas ficam emocionadas - turista é bicho besta mesmo! -, o sol despenca num espectáculo lindo, os garçons vendem cerveja às torrentes, ganham gorjetas boas, os donos do bares fazem bons negócios sem arrancar o couro de ninguém e a coisa flui generosa e próspera para todos.

Aliás, urbanizaram a margem do rio Paraíba onde tocam o Bolero. Antes era um muriçocal dos seiscentos diabos. E ainda puseram umas lojinhas transadinhas, que parecem aquelas de Pipa e de Canoa Quebrada. Ficou legalzinho que só.

Não vou nem dizer que por aqui abandonaram o marco zero da cidade, a dita Barra do Ceará, o estuário do rio Cocó, o Morro de Santa Teresinha, a Praia de Iracema, o farol do Mucuripe. Quem quiser que complete a lista.

Aqui, que merda, mais vale o ôba-ôba dos secretários de turismo, que preferem promover viagem boca-livre de jornalistas a outros países do que trabalhar pra valer.