11 Dez 2006 14:11
O Estadão gerou uma matéria, de cujo bojo (bojo é bom!) tirei aí essa parte aí embaixo. O texto foi retransmitido pela Agência Estado ontem e publicado hoje por um monte de jornais Brasil adentro. Os de Fortaleza, inclusive. O foco - o Reinaldo Azevedo, inclusive, pega por aí no blog dele (www.reinaldoazevedo.com.br) - é o de que o Brasil piorou. Mas, se a parca matemática que aprendi no primário fraco que fiz ainda me serve de alguma coisa, acho que todo mundo errou. O Brasil fez foi melhorar em índices absolutos. Leia:
“O relatório anual Situação Mundial da Infância do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que será divulgado hoje, mostra que o Brasil avançou, mas perdeu posições para países mais pobres que melhoraram com mais rapidez as condições de vida de suas crianças. O País está em 86º lugar numa lista de 190 nações, preparada com base na mortalidade de crianças menores de 5 anos. É o quinto ano consecutivo que o Brasil cai no ranking. Desde 2003, já perdeu sete posições.
De acordo com o relatório, de cada grupo de mil crianças brasileiras nascidas vivas, 33 morrem antes de completar 5 anos de idade. No ranking anterior, o índice de mortalidade era de 34 para cada grupo de mil. Pelos critérios definidos pelo Unicef, o país de melhor desempenho entre todos os aferidos, San Marino, figura na 190ª posição. No ano passado, o Brasil era o 88º colocado. Em 2003, era o 93º. “
1) Ora, se o Brasil avançou, não é honesto dizer que “piorou” - como saiu por aí.
2) O Brasil está em 85º lugar numa lista em que o primeiro colocado é o pior. Se estava na 88ª posição em 2005 e na 93ª posição em 2003, recém-saído do governo FHC, como dizer que “piorou”?
3) Mais correto é dizer que não avançou na proporção de outros países. O problema é que a imprensa daqui compra o peixe pelo preço que oferecem. Não questiona. Não aprofunda. O título do Diário do Nordeste para a matéria foi esse: “Atenção às crianças - Brasil cai mais uma posição no ‘ranking’ do Unicef”. O do O Povo foi: “Infância - Brasil piora em ranking do Unicef”.
4) Veja só o tamanho da contradição: “(…) de cada grupo de mil crianças brasileiras nascidas vivas, 33 morrem antes de completar 5 anos de idade. No ranking anterior, o índice de mortalidade era de 34 para cada grupo de mil (…)”. Tá na cara, então. Se em 2005 morriam 34 e agora morrem 33, como dizer que não melhorou?
Repito, terminando: o Brasil não piorou. Ao contrário. Melhorou. Em comparação ao ano passado, pouco. Em comparação à era FHC, muito: sete posições.
Uma resposta for "Tá ruim? Tá, mas melhorou"
o Reinaldo tem POBREMA.
acho que de tanto malhar o Lula, ele criou um filtro de realidade na cabeça dele em que tudo de ruim é culpa do Lula, e que tudo o que está relacionado ao Lula é ruim.
eu diria que é uma patologia, mas não convém falar mal do moço em público, senão algum senador do PFL me processa e eu perco meu emprego por injúria e calúnia.
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