A tucanalhice de alguns “analistas” tem me deixado de queixo caído. E eu, justo eu, que achava que tudo já havia sido feito em termos de desfaçatez e manipulação das verdades.
A nova é a compra da mineradora Inco pela Vale do Rio Doce. Apóstolos da santíssima trindade (FHC, Luiz Carlos Mendonça de Barros e o finado Sérgio Motta) que desmontou o patrimônio público andam dizendo por aí que foi graças à privatização da Vale que o negócio com a empresa canadense foi possível.
Sei não, sei não.
Vejamos um pouco de história: em 1997, a Vale do Rio Doce foi vendida a um grupo muito, muito próximo dos tucanos, liderado pelo empresário Benjamin Steinbruch. Custou uma micharia, por assim dizer. Avaliada por especialistas em mais de R$ 30 bilhões, a então mineradora estatal foi arrematada por R$ 3,3 bilhões - como você pode ver, pouco mais de 10% do valor estimado.
E os caras tiraram dinheiro do bolso para pagar? Nana-nina-nana. Fomos você, eu, o sujeito aí do seu lado, a senhora sua mãe e, de resto, todos os contribuintes brasileiros que entramos com a grana, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Acha pouco? Perainda.
A mineradora brasileira (?) comprou a Inco sabe por quanto? Exatos US$ 18 bilhões. Em português do Brasil, isso significa uns - pasme pela coincidência - R$ 36 bilhões. Um valor, portanto, 10 vezes superior ao da privatização e bem aproximado do que se estimava para a Vale em 1997.
E a festa não acaba aí. Diz-se que a Vale, sendo estatal, não teria o grau de eficiência que tem hoje nem poderia ter comprado a Inco.
Duas questões: 1) Quem disse que não teria a mesma eficiência? Sabe-se, por exemplo, que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o Banco do Nordeste ampliaram suas operações e sua rentabilidade depois que saíram dos bicos dos tucanos - gente que, como Byron Queiroz, quase os quebra e promoveu massacres violentos contra os funcionários; 2) Quem disse que os brasileiros se beneficiam com a transação Vale-Inco? Faça aí uma reflexão: em que isso vai melhorar sua vida?
Saiba, já quase finalizando, que a Vale não desenvolve políticas sociais, não faz transferência de renda. É uma empresa particular e, como tal, visa ao lucro - o que é absolutamente legítimo no nosso meio capitalista. É igualzinha à Coelce, que corta a energia de hospital e acha que isso é a coisa mais correta do mundo.
Resumindo tudo isso: os tucanalhas querem nos convencer que desmantelar o patrimônio do povo foi um grande favor que nos fizeram.
É mole?