Sobretudo

Para refletir e opinar

Com Luiz Carlos de Carvalho e Roberto Maciel

Arquivos para Outubro, 2006

“Naisceu” uma idéia requentada

Cariocas são, por natureza, alegres e criativos. Tá certo que chamam a todos nós nordestinos de “paraíbas”. Tá certo que chiam demais. Tá certo que não conseguem conjugar o verbo “nascer” (n-a-s-c-e-r), daí só falarem “naiscer”, “naisci”, “naisceu”. Tá certo.

Mas uma ameaça paira sobre a alegria e a criatividade dos cariocas. Chama-se César Maia, ou “César Maluco”, para os nativos. É o prefeito do Rio de Janeiro. Foi eleito pelo PFL, talvez num daqueles arroubos de sacanagem que já fizeram os cidadãos de lá “elegerem” o Macaco Tião e o hipopótamo Cacareco, ilustres moradores do zoológico, deputados.

Incapaz de dar palpites que valham para políticos aliados, Maia quer criar agora um “shadow cabinet” para ficalizar o segundo governo de Lula. A mesma idéia que Lula teve para atazanar Collor em 1990 e que não deu certo. Ou seja, uma idéia requentada.

Resta saber se alguém vai pagar o mico de ser do gabinete das sombras de César Maia. Até porque o Tião e o Cacareco já morreram.

Jack Johnson, i love you!

images.jpgVocê tem filhos? São adolescentes? Estão ouvindo coisas como Forfun, CPM 22, Charlie Brown Jr., Cueio Limão (isso mesmo!!), Dead Fish?

Seus problemas acabaram!

Compre um disco do Jack Johnson. O cara é bom. É esse aí do lado.

Tem uma levada meio folk, meio reggae, meio surf music, com claras influências de blues e de rock. Quase tudo na base do violão com baixo e percussão (tá, é um negócio meio lual, meio vinho de garrafão, meio fogueira e lua cheia, às vezes meio monótono às vezes meio maconheiro, mas fazer o quê?).

O Pedro comprou um disco dele e trouxe aqui pra casa. Depois baixou umas músicas na Internet. Depois comprou outro disco.

Pois não é que nunca mais ouvi o lixo que citei no começo do post… 

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  • Escrito em: Música
  • O Reinaldo me achou

    O Luiz Carlos de Carvalho gosta de me apoquentar. Por pura maldade, o “Magão” escreveu um comentário perguntando se esqueci do Reinaldo Azevedo. Eu mesmo não. Só que eu tenho estado de ressaca nos últimos dias e tenho negligenciado o blog aqui.

    Mas voltando ao Reinaldo: acho que ele me descobriu. Finalmente! Tô todo me achando, todo bobo, todo prosa. Aí embaixo vai um post do blog dele.

    Ele me descobriu? Ih, rapá! Acho que descobriu uns zilhões de blogueiros entre 58 milhões de brasileiros.

    Antes de você ler, vou indicar duas passagens completamente nazistas desse rapaz:

    1) Ele diz que Amorim, Mino Carta e os demais são “contínuos da própria minibiografia” - melhor do que ser contínuo do Arthur Virgílio e do ACM;

    2) Ele diz que “escolhe os vagabundos que quer chutar” - eu sabia que ele era careca, mas não do ABC;

    3) Esse negócio de “bater” e “gozo das vítimas” tem um não-sei-quê de Sérgio Paranhos Fleury. Ou Horácio Gondim. Vixe!

    Leia a declaração de encurralamento se quiser. Taí:

    “Tudo quanto é blogueiro sem leitor agora quer apanhar de mim para ter o gozo das vítimas…

    Há link para o meu blog na Veja On Line já há quase dois meses. Meu primeiro artigo na revista saiu em setembro. Mas há poucos dias o logo aparece no blog. E aí aconteceu uma coisa interessante. Tudo quanto é blogueiro que se quer influente entre jornalistas, mas que é desprovido de leitores, resolveu pegar no meu pé, tirar uma casquinha. Lembram-se aquele tempo em que havia cineastas gênios que faziam filmes que eram uma merda? Então: hoje em dia, temos blogueiros gênios que fazem blogs que não precisam de leitores. Só de bons amigos.

    Eu escolho os vagabundos para chutar. Não sou escolhido por eles. Um aviso: as opiniões que emito aqui são minhas, não da Veja. Portanto, os mequetrefes não alimentem a ilusão de que, apanhando de mim, estarão apanhando da revista, o que certamente serviria para lhes açular o prazer das vítimas: “Oh, a Veja está me perseguindo; eu, um pobre blogueiro alternativo, estou sendo alvo daquela gigante?. Continuaria a ser apenas uma porrada do Reinaldo Azevedo. É pouco para um escravo de si mesmo se fartar. Esqueçam. Mas é claro que posso entrar a qualquer momento também. E aí é para desmoralizar.

    Não dou bola para contínuos de sua própria minibiografia. Quem diz que me despreza por essa ou aquela razão, que, então, me ignore. Agora serei mais seletivo para dar chicotada. Exigirei um mínimo de estatura do delinqüente. E, ademais, uma pergunta: com tanto Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Emir Sader e até o “democrático Noblat” (como eles dizem), o que é que eles vêm fazer aqui? Lamento, é uma paixão unilateral…”

     

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  • Escrito em: Política
  • A cartada final dos tucanos

    Lembra das fotos do dinheiro do dossiê Vedoin, que forçaram o segundo turno entre Lula e Alckmin? Tá.

    Pois os tucanos achavam que dava para virar caso aparecesse outro escândalo. E fizeram festa com um depoimento dado em Mato Grosso por um sujeito que estaria incriminando petistas, dizendo que levou dinheiro para eles. Tudo papo furado.

    A cartada final dos tucanalhas era um blefe. Triste fim. Vejam aí embaixo:

    Testemunha que incriminou Hamilton Lacerda mentiu, diz PF

    Por ?ureo Germano

    BRAS?LIA (Reuters) - O testemunho dado à Polícia Federal por Agnaldo Henrique Lima, que afirma ter levado R$ 250 mil ao ex-coordenador da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, Hamilton Lacerda, é uma farsa, segundo o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, delegado Daniel Lorenz.

    “As declarações deles não se mostraram verdadeiras. Não comprovamos as movimentações com documentos”, afirmou o delegado à Reuters, por telefone, nesta sexta-feira.

    Agnaldo será indiciado por falsidade ideológica, segundo o policial.

    A testemunha procurou jornais da região de Pouso Alegre em Minas Gerais e gravou entrevistas afirmando que teria levado dinheiro para Lacerda.

    Convocado a depor à PF, ele foi ouvido em Varginha (MG) e afirmou que teria recebido em sua conta uma transferência no valor de R$ 80 mil, que teria sido juntados a outros R$ 170 mil. Todo o dinheiro, segundo suas declarações, teriam sido levados para Lacerda em São Paulo.

    O montante teria sido repassado a ele por seu patrão Luiz Silvestre.

    “Não há consistências em suas informações”, disse Lorenz.

    Segundo a assessoria de imprensa da PF, em Brasília, Agnaldo foi levado à mídia por Rosely Souza Pantaleão, que se apresentou como jornalista. As investigações do órgão descobriram que ela é servidora pública em Pouso Alegre e secretária-executiva do PSDB local.

    Por quê sim!

    Sexta-feira. O noticiário político tá que nem caldo de bila. Os tucanos recolheram as asas e estão tentando agora consertar os bicos. Hoje é aniversário do Lula, que está com pelo menos 23 pontos de vantagem nas pesquisas de intenção de voto.

    Tudo isso são sinais.

    Sinais de que agora o Geraldo não tem nenhuma chance.

    Por quê não? (3)

    O Vasco ganhou ontem do Flamengo. Por 3 x 1. 

    Pode ser que agora o Geraldo tenha alguma chance.

    Por quê não? (2)

    O Fortaleza ganhou ontem do Santa Cruz. De 1 x 0.

    Pode ser que o Geraldo agora tenha alguma chance.

    Por quê não?

    Deu no UOL: Reinaldo Gianecchini e Marília Gabriela se separaram.

    Pode ser que agora o Geraldo tenha alguma chance.

    O perigo é o eleitor virar

    Hoje tem debate na Globo.

    Lula e Geraldo Alckmin ficarão frente a frete pela última vez nesta campanha. O tucano diz que dá pra virar. Mas veja: se Alckmin continuar insistindo naquela conversa mole dos outros debates, quem vai virar é o telespectador. Virar o canal.

    Para os mais jovens, uns parênteses necessários: “virar o canal” era um termo que os antigos usavam, na época pré-controle remoto, quando a sintonia da TV era feita num botão que rodava.

    É claro que dá, Geraldo

    Geraldo Alckmin acha que é possível virar nos próximos dias. Com todo o respeito que o ex-governador merece, também acho que dá.

    Dá pra virar doido.

    Dá pra virar bicho.

    Dá pra virar padre.

    Dá pra virar, principalmente, ex-candidato.

    Dá, sim.

    A festa é sua, a festa é nossa

    Lula faz 61 anos amanhã.

    Faltando dois dias para a eleição e justo no dia do debate com o tucano Geraldo Alckmin na Rede Globo.

    Alckmin não vai dar presente. Nem os parabéns. Aposta quanto?

    Das duas, uma

    Agora, sinal de desespero mesmo será se sexta-feira, no debate da Globo, Alckmin vier com essa história de que vender a Vale foi bacana porque a Vale privatizada pôde comprar a Inco por US$ 18 bilhões.

    Sinal de desespero ou de que é, só e somente só, um fantoche nas mãos da galera do FHC.

    Afinal, só FHC mesmo pode elaborar um discurso assim.

    É dinheiro que besta não conta

    A tucanalhice de alguns “analistas” tem me deixado de queixo caído. E eu, justo eu, que achava que tudo já havia sido feito em termos de desfaçatez e manipulação das verdades.

    A nova é a compra da mineradora Inco pela Vale do Rio Doce. Apóstolos da santíssima trindade (FHC, Luiz Carlos Mendonça de Barros e o finado Sérgio Motta) que desmontou o patrimônio público andam dizendo por aí que foi graças à privatização da Vale que o negócio com a empresa canadense foi possível.

    Sei não, sei não.

    Vejamos um pouco de história: em 1997, a Vale do Rio Doce foi vendida a um grupo muito, muito próximo dos tucanos, liderado pelo empresário Benjamin Steinbruch. Custou uma micharia, por assim dizer. Avaliada por especialistas em mais de R$ 30 bilhões, a então mineradora estatal foi arrematada por R$ 3,3 bilhões - como você pode ver, pouco mais de 10% do valor estimado.

    E os caras tiraram dinheiro do bolso para pagar? Nana-nina-nana. Fomos você, eu, o sujeito aí do seu lado, a senhora sua mãe e, de resto, todos os contribuintes brasileiros que entramos com a grana, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    Acha pouco? Perainda.

    A mineradora brasileira (?) comprou a Inco sabe por quanto? Exatos US$ 18 bilhões. Em português do Brasil, isso significa uns - pasme pela coincidência - R$ 36 bilhões. Um valor, portanto, 10 vezes superior ao da privatização e bem aproximado do que se estimava para a Vale em 1997.

    E a festa não acaba aí. Diz-se que a Vale, sendo estatal, não teria o grau de eficiência que tem hoje nem poderia ter comprado a Inco.

    Duas questões: 1) Quem disse que não teria a mesma eficiência? Sabe-se, por exemplo, que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o Banco do Nordeste ampliaram suas operações e sua rentabilidade depois que saíram dos bicos dos tucanos - gente que, como Byron Queiroz, quase os quebra e promoveu massacres violentos contra os funcionários; 2) Quem disse que os brasileiros se beneficiam com a transação Vale-Inco? Faça aí uma reflexão: em que isso vai melhorar sua vida?

    Saiba, já quase finalizando, que a Vale não desenvolve políticas sociais, não faz transferência de renda. É uma empresa particular e, como tal, visa ao lucro - o que é absolutamente legítimo no nosso meio capitalista. É igualzinha à Coelce, que corta a energia de hospital e acha que isso é a coisa mais correta do mundo.

    Resumindo tudo isso: os tucanalhas querem nos convencer que desmantelar o patrimônio do povo foi um grande favor que nos fizeram.

    É mole?

    Alicate afiado

    A propósito de privatização, uma lembrança: foi a Coelce privatizadíssima pelo governo tucano de Tasso Jereissati que cortou o fornecimento de energia para o Hospital Batista.

    Sério: esse pessoal da Coelce tem muita sorte. Vai que morre alguém…

    Azar temos nós.

    Alckmin ganhou experiência. Só se for

    Reinaldo Azevedo, que virou para mim um ícone neonazista, teve uma recaída. E meteu-se hoje, em seu blog (www.reinaldoazevedo.com.br), a dizer que Alckmin venceu o debate da Record.

    Veja aí: “No encontro da Record, o desempenho médio do tucano foi bastante superior ao do petista. Houve um empate em dois dos blocos, e Alckmin venceu dois deles — amplamente. Ou seja: ganhou a partida. Será esta também a percepção do eleitor? Como eu posso saber? Já lhes disse que avaliações de debate costumam sofrer o viés das preferências eleitorais. Se houver alguém indeciso de fato, escolherá o tucano”.

    Não acredite nele. Isso é o mais puro estilo Goebbels.

    Mais uma vez o debate terminou empatado. Alckmin não disse nada de nada. Lula também não. Hoje, no Diário do Nordeste, a charge do Sinfrônio retrata bem o “confronto”. Repare:sinfronio.bmp

    E foi isso mesmo. Eu, em alguns momentos, preferi virar pra Globo e ver o Bruce Willis matando uns negões na ?frica. Mais negócio do que acompanhar o mesmo rame-rame dos candidatos.

    A melhor avaliação do(s) debate(s), de vera, são as pesquisas. Hoje tem Ibope. Vamos ver.

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  • Escrito em: Política
  • Acelera, Nakamura!

    patinada.gifTá no Kibeloco (http://kibeloco.blogspot.com/). O Faustão anuncia a segunda edição do Dança no Gelo e pergunta a uma dançarina - uma gatinha nipônica que ele, com seu humor tosco, chama de “Nakamura” - quem ela acha que vai ganhar.

    Meio avoada e pega de surpresa, “Nakamura” tasca essa:

    - Acho que é o Lula!

    A notinha aí embaixo eu roubei da coluna do Tutty Vasques, no www.nominimo.com.br:

    “Oi, Tutty

    O leitor Guilherme Behmer esclarece: ‘Não é verdade que o Clodovil tem projeto pra integrar o minhocão ao rodoanel.’
    E não se fala mais nisso!!!”

    Gaita, das boas, no Oi Blues By Night

    bene.jpgEsse aí ao lado, para quem não conhece ainda, é o Benê Chiréia Jr. É um dos melhores gaitistas que conheço. E não toca só blues não. O cara é craque no chorinho, no tango, na MPB, o erudito e nos muitos etcs e tal da música.

    Pois Benê vem pra Fortaleza por esses dias. Sábado, 28, toca com a Mister Jack no projeto Oi Blues By Night, no anfiteatro do Centro Dragão do Mar. Às 9 da noite.

    Os erros ensinam

    Passado o debate da Rede Bandeirantes, saíram por aí analistas e proto-analistas políticos Brasil afora e adentro alardeando que Alckmin havia vencido.

    Erraram feio: as pesquisas mostraram que Alckmin caiu e Lula cresceu.

    Pois procure hoje nos blogs que pululam na Internet. Veja se tem alguém dizendo que um ganhou ou outro perdeu.

    Como diria minha mãe, duvi-dê-o-dó…

    É Guerra!!!

    Matéria da Folha On Line informa que os tucanos estão querendo “afinar o programa com o vocabulário do Nordeste”, no dizer do pernambucano Sérgio Guerra, um dos coordenadores da campanha de Alckmin.

    Mas nem tudo são flores. Esse ajuste é pra avisar que em São Paulo “vivem milhares de nordestinos que tiveram melhoria de vida, de operários a empresários e profissionais liberais”, mas que tá bom dessa história de a gente ir pra lá.

    Olha aí o que disse Guerra: “Fizemos uma reunião para afinar o programa com o vocabulário do Nordeste. No Nordeste, queremos dar condições para que não precisem mudar para São Paulo para mudar de vida”.

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  • Escrito em: Política
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