Sobretudo

Para refletir e opinar

Com Luiz Carlos de Carvalho e Roberto Maciel

Arquivos para Julho, 2006

Veneno anti-Fortal

Hoje, sexta-feira de Fortal, tem no oposto da cidade o oposto em música.

Contra a “cidade Fortal” tem o Centro da cidade, mais precisamente no Cine São Luiz.

Contra o axé e o forró fuleiros tem blues e chorinho.

Contra Chiclete com Banana e Asa de �guia tem Jefferson Gonçalves e Benevides Chiréia Jr.

Às 20 horas.

Quem não for é porque é chicleteiro.

Ibope x Ultradata

Se você acha que política é um troço complicado…

Se você achava que eleições são um troço complicado…

Se você achava que pesquisas eleitorais são um troço complicado…

Se você achava que nada mais poderia aparecer para tornar esses troços mais complicados…

Agora lascou tudo.

Nem tudo está perdido em Canoa

Estive por estes dias em Canoa, cada vez mais quebrada.

Já nem sei mais há quantos anos a visito, mas sempre soube que paga-se muito e come-se muito mal naqueles restaurantes de lá - que um monte de gente, pode acreditar, saúda como uma “pluralidade gastronômica de qualidade”, o que é papo de quem não conhece nada do assunto, mas quer posar de entendedor… ora, mas tá!

Pois bem: descobri um restaurante novo lá. “Descobri” é, óbvio, jeito de dizer. Primeiro, porque não fui o primeirão. Depois, porque quem me deu o toque foi o Jura, um dos melhores cantores que já ouvi e que há 26 anos mora em Canoa. Chama-se Sarué. Fica na entrada do “beco do mijo”, onde antes havia o Walayê.

Decoração bacana. Atendimento jóia. Comida muito boa.

Em tempo: o mestre-cuca é o Vasco, que por muitos anos trabalhou na Tenda do Cumbe.  

 

Questão pessoal

pessoa1.jpgEstou entrando de férias.

Deixo um pouco de Fernando Pessoa, sob a manta de Alberto Caeiro, num poema escrito em 1914. Acho-os - o autor e a obra - geniais.

Se tiver computador à mão e, claro, algum saco, postarei nos próximos 30 dias.

 

O guardador de rebanhos - VIII

Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras,
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três,
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz no braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras nos burros,
Rouba as frutas dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas,
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus,
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia,
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
“Se é que as criou, do que duvido” -
“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
mas os seres não cantam nada,
se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres”.
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
………………………………………………………………..

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos a dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos,
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
………………………………………………………………………

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
…………………………………………………………………………

Esta é a história do meu Menino Jesus,
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Um exemplo e tanto

Geraldo Alckmin tem dito que vai recuperar todas as rodovias federais em 12 meses de gestão - se eleito for, nem precisa dizer.washington soares.jpg

De uma só paulada, gerou dois tipos de ciúmes no PSDB.

1) FHC botou logo um beicinho, porque Geraaaallllddooo está prometendo fazer o ele não fez em oito anos.

2) Tucanos de outros estados temem que ele chame Maia Júnior e o pessoal que construiu a Washington Soares, a maior obrada tucana no Ceará, para tocar esse projetão.

A arte de não dizer nada

Geraldo Alckmin e Heloísa Helena vieram ao Ceará hoje.

Não tiveram muito o que dizer.

O candidato do PSDB à sucessão de Lula ficou na defensiva - saiu repetindo por aí que segurança pública é também dever do Governo Federal, como a tentar justificar, ou compartilhar, o caos que está implantado no estado que geriu, São Paulo.

Já a candidata do P-SOL distribuiu algumas ofensas a Lula e aliados que não o abandonaram, o que faz com freqüência patológica, e disse que baixaria as taxas de juros à metade. Mas não deu nem pistas de como vai conseguir fazer isso sem levar a inflação à estratosfera.

Geraaaaallllddo e Lolô vieram ao Ceará hoje. Já foram embora. Não fiquei com um trisquinho de saudade.

Levando a vida na gaita

gaita2.gifSaibam vocês: sexta-feira que vem, dia 28, no Cine São Luiz, tem show dos melhores.

Jefferson Gonçalves e Benê Chiréia vão mostrar porque são considerados bambambans do realejo.

E tem mais: Diogo Farias, gaitista cearense, também de primeira linha, levará ao palco o lado mais acústico de sua De Blues Em Quando.

Às 9 da noite.

Quedê a campanha? - Volume II

Deputados estaduais estão meio perdidos: tucanos não sabem a quem apoiar. Neo-socialistas, como Mauro Filho, idem. Estão entre Lúcio e Cid.

Não têm clareza sobre os horizontes da campanha dos candidatos a governador e, por isso, não estão falando claramente para suas bases sobre um ou outro.

Isso ainda vai dar samba. Porque constrangimento e cobranças dos eleitores já deu.

A Casa Pio pode entender de sapato que só, mas de português não sabe picas nenhumas.

Tanto que não pediu da agência de propaganda que fez sua mais recente campanha o dinheiro que pagou pelo serviço.

Serviço mal feito que só, diga-se. O locutor berra aos quatro ventos: ”É férias, é férias”. ´

É férias é o cacete: são férias.  

Quedê a campanha?

Não sei se vocês, antenados que só, já perceberam: a campanha para governador do Ceará ainda está em banho-maria.

As pessoas parecem não estar dando conta de que haverá uma eleição daqui a 73 dias. Fora a aquela pesquisa do Ultradata, poucos assuntos em relação à campanha estão sendo discutidos bares afora (parênteses para a pesquisa: creio que somente o fato de ser inapelavelmente mal feita, por incompentência ou má-fé, o que em política dá no mesmo, a pesquisa ganhou alguma atenção; mais pelo ridículo do que pela apreciação do momento).

Você pode até me dizer: “Campanha para governador é assim mesmo… Não é como a de prefeito, que mobiliza o poder local e um monte de vereadores”. Você pode estar certo, mas em parte. Basta lembrar do que rolou, e da intensidade com que rolou, em 2002, 1998, 1994 etc etc etc que vai ver que não é bem assim.

O que existe, no meu humilíssimo ponto de vista, é que não interessa aos dois candidatos que polarizarão o interesse do eleitor - o ex-tudo e hoje tucano Lúcio Alcântara e o ex-tudo, inclusive tucano, e hoje socialista Cid Gomes - que a campanha seja deflagrada de já.

Simples: eles não querem que ninguém note que são iguaizinhos. Ou que têm históricos e bases filosóficas muito, muito parecidas - feitas na mesma forma, inclusive. 

Anote aí: vacina anti-Fortal

Boa música no horizonte: dia 28, tem Jefferson Gonçalves e Benê Chiréia Jr., dois gaitistas dos melhores desse Brasil varonil, fazendo misérias no palco do Cine São Luiz.

Dia 18 de agosto, tem Holland K. Smith no Dragão. Guitarrista texano. Do bom. Faz jus à tradição de figuras geniais como Stevie Ray e Johnny Winter.

E quando outubro chegar tem Fórum Harmônicas Brasil.

Quer dizer: existe vida inteligente por aqui, sim, apesar do Fortal e do Ceará Music.

 

É só uma questão de sintonia

As casas parlamentares estão de recesso. Tempinho básico para a turma sair por aí, gastando sola de sapato, à cata de votos.

Mas veja o lado bom: a programação das TVs do Senado, da Câmara dos Deputados, da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal de Fortaleza corre o sério risco de ficar boa que só.

 

A jornalista Inês Aparecida deixou na semana passada o estafe do prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PL). Mas não saiu dizendo que ia comprar pavio pro lampião, como a Inês da música do Adoniran Barbosa.

Inês apareceu em outras plagas: será a assessora de imprensa da campanha do governador Lúcio Alcântara (PSDB) à reeleição.

Lúcio está bem de assessora. Dona de verve implacável e de texto afiado, Inês Aparecida conhece de ponta a ponta as redações locais. E tem caráter, quesito indispensável para um assessor de imprensa que valha.

Lúcio está à frente dos outros com larguíssima vantagem. Larguíssima, repito.

A gente ganha pouco, mas se diverte

Recebi hoje um e-mail da Câmara Municipal de Fortaleza. Divertidíssimo. Não informa quem o pariu - o que é de certa forma prudente -, mas mostra como não se deve escrever um texto. A abordagem são três projetos apresentados pelo vereador Addler Pinheiro. Tudo blablablá. Mas o mais legal é o trecho final:

“Um terceiro projeto dispõe sobre a construção de uma rampa de acesso aos portadores de necessidades especiais nas entradas das arquibancadas do estádio municipal Presidente Vargas. ‘Nossa intenção é facilitar o acesso
dos torcedores, portadores de necessidades especiais às arquibancadas do estádio `Presidente Vargas´’, justificou”.

Se ele não explica…

A aventura já está paga

Entrar numa quarta-feira às gargalhadas não tem preço. Desde ontem eu rio da pesquisa que a TV Jangadeiro encomendou a uma empresa local, a Ultradata, sobre a sucessão estadual.

Não vou nem para os números de cima - os que dão Cid acima de Lúcio. Prefiro mergulhar nos de baixo.

E diz lá que a ex-candidata do PCO tem 0,3% dos votos dos eleitores cearenses. Sabe lá o que é isso? São uns 16 mil votos. É voto demais, sério!, para quem não é conhecida e, pior ainda, já desistiu da disputa.

Dado assim é justificativa pra lá de segura para uma investigação do TRE. Sabe por quê? Por causa da margem de erro, que na da Ultradata é de 2,8 pontos para cima ou para baixo. Isso quer dizer que a ex-candidata do PCO, Maria José Sales, pode estar mesmo com 2,83% dos votos. Ou ter 2,77% negativos. Pode estar devendo votos!

Mas tire-se a seguintes conclusão: Mazé pode se dar por satisfeita - sua curtíssima aventura eleitoral já está compensada.

P.S.: Outra coisa: pesquisa séria não dá percentual tão miudinho assim. Só informa que determinado candidato não atingiu 1% dos votos.

Hoje, a Assembléia Legislativa aprovou a proposta de abertura da CPI dos Medicamentos - um rame-rame, uma bobagem criada para barrar outra CPI, a das dispensas de licitação

A oposição esperneou. Disse que a comissão aprovada é só uma manobra de governistas para evitar desgastes para a gestão Lúcio Alcântara.

E é. Quem duvida? 

Mas veja: besta seria o governo se desse a cara a tapa e aceitasse uma CPI cavilosa - e perigosa - como a das dispensas de licitação. Imagine só a folia que fariam os deputados de oposição. Imagine só a saia justa de Lúcio para explicar os mais de R$ 2 bilhões de obras e serviços não licitados entre 2004 e 2005.

Agora me responda aí: você acha que o governo Lula quis a CPI dos Bingos? Ou a do Mensalão? Você acha que petistas e aliados não disseram que essas CPIs tinham só o intuito de prejudicar política e eleitoralmente o presidente?

O problema é que lá no Congresso a oposição - que se chama PSDB e PFL, ao contrário daqui - foi mais competente para abrir as investigações. E muito, muito incompentente para encerrá-las.

Geraaaaaallllddddooo!!!!

Não vou nem mentir: passei uns dias afastado do blog pela mais pura preguiça.

Mas volto só para dizer que fiquei todo orgulhoso de ter um carro mais bacana do que o do presidenciável tucano Geraldo Alckmin (PSDB). O dele, segundo declarou ao TSE, é uma Parati véia 1999. O meu é um Siena menos véio, 2001.

Mas num ponto eu me rendo: minha mulher não tem 400 vestidos doados por um estilista famoso. E a dele tem.

Também, quem mandou não ser ex-primeira dama?

Allons enfants

Mantenho o que escrevi outro dia desses: “Tô com Parreira. Em copa do mundo, não interessa jogar bem ou jogar ruim. O que importa é ganhar. Copa não é lugar para romantismo”.

E, jogando ruim, o Brasil não ganhou. Se tivesse perdido jogando bem, dava no mesmo.

 

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