30 Mai
Outro dia desses inventei de trazer para tocar em Fortaleza uma lenda do blues, Peter Madcat Ruth. Todo mundo que me conhece sabe que sou doido por blues, assim como sabe que sou doido por gaita. E Madcat, gente fina pra cacete, é “mode” um deus desses dois negócios aí. É esse galego do lado, em pleno Cine São Luiz, junto com o Jefferson Gonçalves - outro gaitista da melhor cepa. A foto é do Zerosa Filho.
Pois bem: conversando com o dito cujo, entre a passagem de som e o show, fiquei todo errado com uma pergunta que ele me fez. Pergunta boba, tá certo, mas desconcertante por que a resposta óbvia mata a gente de vergonha.
Madcat queria saber como é que a Beira-Mar, pertinho do hotel Brasil Tropical, onde ficou, sendo tão beautiful e tão nice é também tão jogada às traças. Aleguei que meu inglês é muito fuleiro para responder àquela pergunta. E mudei de assunto. Quis saber como ele customiza as gaitas. Ele explicou e eu não entendi bulhufas. Nem era esse o meu propósito, tava na cara.
Ah! Vocês viram: aprendi a postar fotos. Mérito do Leonardo Sales.
30 Mai
Por pura falta do que fazer - ou por coisa pior, cala-te boca -, o deputado Francisco Caminha (PHS) vai arrastar para dentro da Assembléia Legislativa um monte de cantores de forró, humoristas decadentes e dançarinos de axé e lambada. Sim, tem a griffe do carola Francisco Caminha a homenagem que a AL vai prestar aos 20 anos do bar Pirata, aquele mesmo, da decaída Praia de Iracema. Será na próxima quinta-feira, à tarde.
Tenho pra mim que o Caminha nunca colocou os pés no Pirata. Aliás, nunca foi ao Pirata assim como nunca fez nada como secretário extraordinário do Centro, cargo criado na Fortaleza Bela para abrigar alguém do PHS. Esse alguém era o Caminha. Extraordinário!
Homem dado a orar em línguas, integrante que é da Renovação Carismática, se um dia tivesse entrado lá certamente se veria motivado a fazer uma pregação contra o que os católicos chamam de “pecados da carne”. O que tem de garota de programa no Pirata não se conta. E de gringo com cara de traficante. E de taxistas que fazem as vezes de rufiões. Um paraíso, eu diria, para quem quer converter os perdidos.
Cabe aqui uma manifestação de autodefesa: longe de mim qualquer ranço moralista. Dá quem quer, paga quem pode e tamos conversados.
O que acho esquisito é esse rompante festeiro do Caminha. Será que era feijão mesmo aquela plantinha que ele, quando candidato a prefeito em 2004, carregava dentro de um vaso?
30 Mai
Andam dizendo por aí que o ex-deputado estadual, ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro da Fazenda, ex-candidato a presidente e ex-ministro da Integração, além de ex-Arena, ex-PDS, ex-PMDB, ex-PSDB e ex-PPS, Ciro Gomes será o vice de Lula.
Acredito não. Não por que seja improvável - em política não há nada improvável, nem a ressurreição dos mortos -, mas por que há um cenário que, neste momento, esvazia essa possibilidade.
A propósito, hoje mesmo li na coluna da Soninha Pinheiro (nunca vi nem ouvi pessoa tão meiga), no O Povo, a seguinte nota: “…e deu na Folha, domingo, que ‘um senador petista ficou impressionado ao encontrar Ciro Gomes: estava cheio de gráficos e estudos com comparações entre os governos Lula e FHC. Parecia um treinamento para ser vice’”.
Agora, veja só: se o Ciro é aliado confirmado de Lula; se tem interesse em ser apoiado pelo presidente para eleger o irmão dele, Cid, governador do Ceará; se passa dias e noites jurando fidelidade aos petistas (e também ao Tasso, mas essa é outra história); se se diz inimigo jurado de Alckmin, Serra e FHC; se o PSB precisa dele candidato a deputado federal para puxar votos do eleitorado cearense, por quê diabos o Lula iria querê-lo como vice? A lógica é atrair quem é forte e está distante, não quem está perto. É o caso do PMDB.
E só é o PMDB por que, pode apostar, o PSDB não está disponível agora - em 2010, quem sabe?
Posso estar errado - o que não é raro, graças a Deus -, mas essa história de “Ciro vice” me parece jogo de cena.
30 Mai
Foi sexta-feira passada. Gente da Prefeitura de Fortaleza, do Ministério Público Estadual e das empresas de outdoors se juntaram de, pelo que dizem, firmaram um acerto: as exibidoras, tipo Bandeirantes e Divulcart, terão 180 dias - sim, meus caros: seis longos meses - para tirar as estruturas que ocupam locais indevidos. E que provocam poluição visual. E que, assim, emporcalham a cidade com a mesma categoria de uma irmã Jurema ou de uma Sarah, a que “traz” a pessoa amada.
Taí um negócio bom para as bolsas de apostas da Praça do Ferreira. Primeiro, por que não é de hoje que são feitos acordo assim. Depois, por que não passa nem na calçada de uma empresa dessas abrir mão de poluir a cidade em troca de um dinheirinho a mais no caixa. Depois, por que fosse pra fiscalizar mesmo, de vera, a Prefeitura da Fortaleza Bela havia feito isso - e distribuído multas à bambam, e todas justas - desde quando começou, há um ano e meio. Né não?
Em tempo: no trecho da Washington Soares entre o viaduto da Santana Júnior e às abandonadas instalações da Ioce há 60 outdoors. Uns por cima dos outros, inclusive. Uma disposição digna daquela avenida - que se não é a obra do século, é a obrada do milênio.
25 Mai
Veja no que dá a falta do que fazer: recém-chegado à Assembléia Legislativa do Ceará, o deputado Stanley Leão (PSDC) foi a plenário defender que o Procuradoria Geral da República aprofunde as apurações que vem fazendo sobre quem comete crimes virtuais no Orkut. Talvez por achar que o modesto púlpito da AL tenha tanta dimensão assim. Ou por acreditar que ocupar o espaço da TV Legislativa, que custa caro ao povo, dê Ibope.
Começa assim. Depois piora.
24 Mai
Peraí, peraí, peraí. Tem alguma coisa errada nisso. Lula com 40,5% das intenções de voto? Que é isso, Diogo Mainardi? Que é isso, Reinaldo Azevedo (de quem eu nuuunnnca havia ouvido falar até que comecei a ler o Primeira Leitura, a bíblia digital dos tucanos)?
Só pode ter alguma coisa errada. Lula não sabe falar, não sabe ler, não sabe escrever, não sabe comer. E, só pra sacanear, aparece com 40,5%? Parece coisa do Garrincha que, segundo Cacaso, nasceu de perna torta para driblar os adversários e, para entortar o vernáculo, nasceu em Pau Grande.
Juro por Deus: o que eu mais queria ver agora era as caras do ACM e do Tasso. Do Roberto Jefferson e do FHC. Do Roberto Freire e do Arthur Virgílio. E da Heloísa Helena. Todos esqueceram como se faz política. Coisa que Lula - que não sabe falar, não sabe ler, não sabe escrever, não sabe comer - faz como ninguém. Bem ou mal, mas faz.
24 Mai
Li hoje de manhãzinha um artigo bem bacana. Foi no jornal O Povo. Escrito pelo dono de um dos melhores textos da nossa imprensa, o jornalista Guálter George. Trata-se de uma bela descascada em cima de uma camarilha de vigaristas que agora posam de bons moços. A começar pelo senador baiano Antonio Carlos Magalhães, sombra muito bem definida da ditadura dos militares.
A assinatura do autor, por si, já basta para qualificar o artigo. Mas assim mesmo veja nesse link abaixo.
24 Mai
Olhaí! Recebi um comentário. Deixei de ser virgem em matéria de comments. Foi a Maísa Vasconcelos. Disse que virou freguesa desse mal traçado blog - no qual, descobri faz pouquinho tempo, não sei postar fotos.
Coisa boa taí. Não eu não saber colocar fotos, mas a Maísa se confessar freguesa minha. Tô vaidade pura. Vou dizer porque: é que a Maísa Vasconcelos é uma das minhas referências da TV local. Apresentadora das melhores. Suave, inteligente, bem humorada. Nada a ver com aquelas que eu “adoro”.
ô coisa boa!
19 Mai
Foi na Semana Santa passada. Acho que em Pacatuba. Tava lá a reportagem do Canal 10 fazendo a velha e cansada pauta da Paixão de Cristo. A encenação, você sabe, junta um monte de cabôcos e cabôcas bem cearenses, bem amatutados, num espetáculo de fé e de gafes. Maravilha pura.
Jesus - quer dizer, o sujeito que fazia o papel de Jesus - ia pela Via Crúcis já debaixo de sola dos figurantes. Sim, porque figurante de Paixão de Cristo é um tipo perverso e frustrado por natureza: não é o principal porque é figurante, é figurante porque um melhor pegou o personagem principal. E senta a peia no pobre do Jesus com um realismo, digamos, de torturador.
Suado, coitado, Jesus seguia dando mostras cabais de que o cara da cenografia havia jogado pesado na cruz. Ora, se é teatro, por que diabos a cruz tinha se de tão pesada? Devia ser de andiroba.
Pois voltando ao causo: Jesus vinha debaixo da chibata inclemente dos soldados. Um desses, bem filhos-da-puta e fazendo jus ao pior dos infernos, achou de impor mais realidade à cena. Viu a câmera da TV, se julgou logo um De Niro. E deu uma mãozada tão certeira nas costas de Jesus, que o coitado do filho de Deus caiu de cara no chão, largadão lá longe do script. E eu, vítima inocente daquele humor negro, caí na risada. Não dava pra não cair. Nem ele no chão nem eu na gaitada.
Ano que vem tem mais. Tomara.
19 Mai
Juro por Deus: adoro programas de TV do tipo “pagou, apareceu”. Como o Must ou o da Cléa Petrelli. Ou um de noivos, do qual gosto tanto que nem me lembro o nome, que passa na caricatura local da MTV, a TV União.
São as mais fantásticas obras da vaidade humana. E da fragilidade provinciana que parece se desfazer em fugazes momentos na telinha. Coisa linda. Mata de rir de tão ridícula que é.
Outro dia desses, por exemplo, no tal programa dos noivos - que, convenhamos, é um filão comercial do cacete (antes da lua-de-mel, registre-se) - estava lá, belezura toda, de cor-de-cenoura da cabeça aos pés, a mãe de uma noivinha classe média, de uma estirpe de comerciantes de bairro que consegue amealhar alguns caraminguás. Felicíssima da vida. O repórter, sujeito de esquisita barbicha, tascou-lhe uma pergunta travestida de resposta, como sói acontecer em programas assim: “É muita felicidade, não é?”. Olhou para a mãezinha-querida-mãezinha-do-coração-te-adorarei-toda-a-
vida-com-toda-emoção e depois para a gente com um sorriso bestalhão, porque isso é cacoete desse tipo de perguntador e senão não tem graça.
E ela, as lágrimas já borrando a maquiagem: “É lindo, é maravilhoso, é a realização de um sonho. Nem sei dizer…” E mais não disse por uns 30 segundos - os quais gastou olhando para a câmera.
18 Mai
Diogo Mainardi está no melhor dos mundos. Está na Pasárgada que projetou para si. Dono de texto de fluência invejável e de raciocínio rápido - o que, convenhamos, não é nada incomum no jornalismo brasileiro -, o colunista da revista Veja tenta se credenciar como um Carlos Lacerda pós-moderno, um polemista que esgrime com palavras e, ao mesmo tempo, despeja cobras, lagartos, lesmas e outros bichos escrotos nos adversários. Quer um lugarzinho no panteão dos enfants terribles da mídia e está conseguindo às custas de quem se abespinha com suas boutages.
Pois agora ganhou presente novo: cinqüenta moradores do Acre querem processá-lo porque ele disse no programa Manhattan Connection (GNT) que o Brasil saiu perdendo ao dar um cavalo à Bolívia em troca daquele Estado.
Resumindo: tem gente perdendo tempo, que é um troço caro e trabalhoso de ter, com Diogo Mainardi. Isso é que é desperdício. Afinal, as opiniões de Mainardi, embora bem escritas ou rapidamente ditas, não têm o valor de um cavalo velho.
18 Mai
Veja só: vereadores desta Fortaleza que se pretende bela se dedicaram ontem a discutir e votar o parecer de Didi Mangueira (PSL) sobre a taxação de aposentados e pensionistas do Município que ganham mais de R$ 2,6 mil, proposta pela Prefeitura. No fim das contas e depois de muita conversa, acataram o que Didi - que não é Mocó, Sonrisal, Colesterol, Novalgina nem Mufumbo, mas às vezes é engraçado que não é brincadeira - defendia: a aprovação da cobrança.
A demagogia rendeu manifestações curiosas dos parlamentares. Todos afirmaram que não queriam a taxação - inclusive os que votaram a favor. Estes, note-se, garantiam que só aceitavam a medida porque, sem ela, a cidade não participaria do banquete de verbas federais, já que não estaria adequada à Reforma da Previdência.Quer dizer: passaram para o eleitor que estavam “tapando o nariz e votando”. Papo para boi dormir. Por mais antipática e impopular que fosse, a medida teria de ser implementada. Não só por causa dos recursos da União, mas também porque a previdência municipal precisa ser equilibrada - o efeito Rose Mary Maciel (da qual não compartilho o DNA, graças ao Misericordioso) ainda age por acolá.
Resumindo: a aprovação foi questão de responsabilidade. Quem votou a favor, votou pelo bem da cidade. Quem votou contra, ou fez jogo de cena - como é o caso dos vereadores petistas Salmito Filho e José Maria Pontes - ou não sabe o que está fazendo na Câmara ou quer ver mesmo é a coisa se arrebentar de vez.
E repare, por fim: responsabilidade dispensa qualquer constrangimento.
12 Mai
O PSDB do Ceará confirma hoje, ao meio-dia, a pré-candidatura do governador Lúcio Alcântara à reeleição. No Hotel Vila Galé, na Praia do Futuro. Vai juntar gente de todos os calibres, de bicos de todas as densidades - duros, moles ou meias-bombas.
O que poderia ser um gesto natural, considerando que Lúcio tem a prerrogativa da candidatura por ser o detentor do mandato, se reveste de algumas pompas e circunstâncias. E com razão. Em política, emitir sinais e decifrar códigos é vital.
A crise em que os tucanos se meteram nos últimos meses, a partir de negociações que estavam sendo encaminhadas em Brasília - bem longe do Ceará, portanto - pelo presidente nacional do partido, Tasso Jereissati, e o ex-ministro Ciro Gomes (PSB), para que a parcela do PSDB que acompanha Tasso abandonasse Lúcio e apoiasse o neo-socialista Cid Gomes, impôs as simbologias aplicadas ao ato desta sexta-feira.
Lúcio quer mostrar que ganhou a parada. E ganhou. Tasso não vai. Quer mostrar que, se perdeu, não vai vender barato a derrota.
9 Mai
Desaba uma chuvinha nojenta sobre Fortaleza. Entre poças e respingos, pais não se entendem nas portas dos colégios. Nem entendem por que o trânsito é tão fuleiro nessa Fortaleza que se pretende bela. Tucanos se engalfinham na Assembléia Legislativa do Ceará. Vereadores seguem seu tragicômico destino de parteiros de bobagens. A Mangueira entrou e quase ninguém viu.
Um de tudo. Peço tudo não dou nada. Peço palmo.
Desembarco nesse blog meio mané - ou um tanto “zé migué”, como uma vez me rotulou um colunista político remunerado por mãos nada católicas. E nessa mania que a gente tem de entender de tudo sem entender de quase nada, vou tentar, aos trancos, barrancos e solavancos, escrever sobre um pouco de tudo. Ou de nada. Depende.